"Não deem ouvidos às máfias". O aviso de Espanha e Marrocos para sábado em Ceuta

"Não deem ouvidos às máfias". O aviso de Espanha e Marrocos para sábado em Ceuta

O alerta surge na sequência de mensagens que circulam há vários dias nas redes sociais. "A fronteira de Ceuta estará aberta no dia 15 [de agosto], feriado em Espanha", asseguram. O Ministério marroquino do Interior pede aos cidadãos que ignorem apelos considerados "suspeitos e enganosos" e que representam "riscos graves para a segurança das pessoas".

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Imigrantes fazem fila para receber alimentos básicos de ONG em Ceuta. Reuters

As autoridades marroquinas detetaram inúmeras mensagens nas redes sociais destinadas a organizar e coordenar uma nova travessia em massa, este sábado, rumo às cidades autónomas espanholas.

O porta-voz do Ministério do Interior, citado pela agência estatal marroquina de notícias, refere que várias pessoas foram detidas. Também foram instaurados processos contra elas por terem sido acusadas de divulgar notícias falsas para favorecer a migração ilegal.
Perante o incentivo à repetição do que aconteceu no final de julho, também o ministro espanhol do Interior, que está em Ceuta, apela às pessoas para “que não deem ouvidos às máfias que brincam com as suas vidas. Nenhum deles vai ficar [em Ceuta], nenhum deles vai para a península, nenhum deles vai ser regularizado”.

Quanto ao controlo na fronteira, Rabat reforçou o posto com centenas de elementos das forças de segurança, apoiados por militares. Marrocos colocou ainda arame farpado e cercas nas barreiras que marcam a fronteira. “Medidas necessárias para impedir qualquer tentativa de passagem ilegal e intercetar qualquer pessoa que tente participar nessa tentativa”, sublinhou o porta-voz do Ministério magrebino.
No lado espanhol da fronteira, o reforço de efetivos também tem sido feito. 

Estes reforços são visíveis com a presença de agentes nas ruas. A que se junta a estratégia para agilizar a expulsão dos cinco mil migrantes em situação irregular que ainda estão em Ceuta.

Nos últimos dias, os tribunais de Ceuta confirmaram penas de prisão a nove dos migrantes que chegaram no fim de julho. Foram ainda expulsos outros dois por terem cometido vários crimes.
Os números do reforço espanhol em Ceuta
Espanha reforçou as autoridades de segurança com 45 membros da Unidade de Prevenção e Reação (UPR), que viajaram para Ceuta. 

A estes juntam-se seis membros da Unidade Central de Expulsões e Repatriações (UCER), que chegaram à cidade horas depois do início da crise migratória para apoiar os trabalhos de identificação dos migrantes

Para além de 20 membros da Brigada Central de Estrangeiros e Fronteiras para agilizar as expulsões. 

Existem também seis membros responsáveis pela luta antiterrorista, embora o ministro espanhol do Interior tenha negado, na quinta-feira, que a situação criada implique um aumento da ameaça jihadista. “Estamos vigilantes, estamos a monitorizar todas as pessoas que entraram”, acrescentou o ministro.
Por seu lado, a Guardia Civil enviou 60 agentes para reforçar a vigilância fronteiriça e outros 160 para realizar tarefas de segurança pública

Para o controlo costeiro foram enviados mergulhadores do Grupo Especial de Atividades Subaquáticas (GEAS) e o navio Duque de Ahumada com uma tripulação de 12 guardias civis

O Serviço Aéreo foi reforçado com um helicóptero. 

Desde a semana passada, os agentes da Guardia Civil destacados em Ceuta, mas também em Melilha, não estão autorizados a tirar novas “férias, licenças, nem autorizações de ausência”, face à “situação operacional decorrente do aumento da pressão migratória irregular”.

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