Não há condições para eleições livres, justas e transparentes
Viana, Angola 16 dez (Lusa) - A UNITA manifestou hoje em Viana, arredores de Luanda, a sua preocupação de que as eleições gerais a realizar em 2012 em Angola sejam "livres, justas e transparentes".
"O Congresso da UNITA manifesta a sua preocupação em relação ao ambiente político atual, destituído das condições necessárias para a realização de um pleito eleitoral livre, justo e transparente", refere o ponto 18 do documento, lido no final dos trabalhos.
Nesse sentido, sublinhou que a "continuada partidarização" do Estado "contribui para a estagnação em que se encontra o processo de democratização do país".
A UNITA considerou ainda que "falta vontade política" ao governo angolano para aplicar "medidas eficazes de combate à corrupção" e manifestou "preocupação" pelas políticas governamentais nos setores da saúde, educação, transportes públicos, água e luz.
Referindo-se ao conflito em Cabinda, a UNITA lamentou a "continuação da guerra" neste enclave angolano e exortou o governo a "assumir as suas responsabilidades", para o que deve negociar com os representantes legítimos das populações daquele território.
Quanto ao processo de registo eleitoral, cuja primeira fase terminou hoje e que será retomado no próximo dia 05 de janeiro, a UNITA manifestou a sua "profunda preocupação pelos factos inconstitucionais" que alegadamente o Executivo pratica, para o que exigiu a "cessação imediata de todos os atos coercivos de recolha dos dados de registo dos cidadãos".
Ainda neste ponto, foi salientado terem sido dadas orientações aos órgãos competentes do partido para que se inicie o processo que conduza a uma auditoria à Conferência Interministerial para o Processo Eleitoral (CIPRE).
No plano internacional, o congresso da UNITA apresentou a sua "inequívoca solidariedade" com os povos da Tunísia, Egito e Líbia, pela "forma heroica como conseguiram livrar-se de regimes ditatoriais", fazendo votos que o caminho para a democracia decorra "sem muitos percalços".
Quanto à "continuada violência" que persiste na Síria, no Iémen e "em outros países", a UNITA vincou igualmente a sua "profunda preocupação", sobretudo pela falta de respeito na "vontade expressa" das populações daqueles países em exercerem a sua soberania.
O XI Congresso da UNITA encerrou hoje, já de noite e com um substancial atraso de quatro horas relativamente ao previsto, os trabalhos que culminaram com a reeleição do líder do partido, Isaías Samakuva, para mais um mandato de quatro anos.
Samakuva, eleito pela primeira vez em 2003 e reeleito em 2007, derrotou na corrida ao cargo José Pedro Cachiungo, que não foi alem dos 11 por cento dos votos válidos dos 1.013 delegados que votaram.
Isaías Samakuva, de 65 anos, alcançou 85,6 por cento.
O partido encerra esta jornada de militância política com um passeio na manhã de sábado pelas ruas de Luanda e a nova Comissão Política saída do congresso realiza sábado à tarde a sua primeira reunião, em que será eleito o Secretariado Permanente, órgão que dirige a UNITA.