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"Não há risco de instabilidade social" em Angola, diz José Eduardo dos Santos

"Não há risco de instabilidade social" em Angola, diz José Eduardo dos Santos

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, disse hoje, em entrevista à SIC, que "não há qualquer risco de instabilidade social", realçando que os protestos antigoverno são "muito localizados" e "nunca reuniram mais de 300 pessoas".

Lusa /

Garantindo que o Governo angolano está "atento a essas situações", José Eduardo dos Santos descreveu os manifestantes que têm protestado regularmente nalgumas cidades angolanas, sobretudo em Luanda, como "jovens com certas frustrações, que não tiveram sucesso durante a sua vida escolar e académica e não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego".

O chefe de Estado angolano -- no poder há mais de 30 anos -- considerou que "tentaram" transpor para Angola protestos semelhantes aos do mundo árabe, utilizando as redes sociais para "incitar a juventude a grandes manifestações".

Porém, "a verdade é que não pegou" esse objetivo de "perturbar" a ordem estabelecida, analisou.

"Não quer dizer que não haja focos, de quando em vez (...) pequenos grupos de jovens que se organizam para realizar manifestações, particularmente em Luanda, mas nunca reuniram mais de 300 pessoas", contabilizou o Presidente angolano.

"Não temos, pelo menos na minha perceção, assim à vista, qualquer risco de instabilidade social neste momento", frisou, contrapondo que "o Governo está sempre preocupado com os problemas de caráter social".

A reconciliação nacional, disse, "pressupõe a perceção de que é preciso colocar os interesses gerais, da nação, acima de qualquer interesse particular". E a negociação política "faz-se dialogando, compreendendo a vontade do outro e procurando levá-lo à razão". "Somos uma democracia", repetiu ao longo da entrevista.

Considerando que estão criadas "condições para a consolidação da democracia", admitiu que é preciso fazer "melhor" distribuição de riqueza, mas realçou que este "não é um fenómeno apenas de Angola".

José Eduardo dos Santos fez uma retrospetiva cronológica desde a independência - recordando que começou a chefiar um país "destruído e exangue" - e recordou que Angola tem "uma herança pesada, ainda do tempo colonial", que em parte explica, por exemplo, o "problema sério" da pobreza, na ordem dos "35, 36 por cento".

Assumindo que é "evidente" que está preocupado com o fosso entre a elite e as restantes classes sociais, disse buscar "uma sociedade inclusiva, em todos se sintam bem".

Eduardo dos Santos disse que ainda não pensou no que fazer quando deixar a presidência de Angola, mas "claro" que pensa numa transição e que este "assunto tem sido tratado" dentro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que lidera e que está no poder. "O primeiro exercício será encontrar um líder que me substitua no MPLA", limitou-se a dizer.

"Normalmente, o que fazem os ex-Presidentes é escrever memórias", disse, acrescentando que também gosta de desporto e tem uma fundação.

Sobre como gostava de ser recordado, respondeu: "como um bom patriota".

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