"Não vai ter golpe", gritam milhares na Paulista, em São Paulo

São Paulo, Brasil, 19 mar (Lusa) - Milhares de pessoas vestidas de vermelho, com bandeiras do Brasil nas mãos ou nas costas, repetiram, aos gritos, a frase "não vai ter golpe", durante um grande protesto pró-governamental organizado hoje em São Paulo, maior cidade do Brasil.

Lusa /

A frase de ordem foi usada para demostrar o posicionamento dos manifestantes, contra o pedido de destituição da atual Presidente, Dilma Rousseff, em andamento na Câmara dos Deputados desde ontem à noite.

"Eu acho que os crimes de corrupção têm que ser investigados, mas as intervenções da Justiça não são iguais para todos os envolvidos e se mostram conservadoras", afirmou Andreia Goulart, socióloga de 33 anos, que se junta ao coro "petista".

"Apoio o PT. Também estou muito dececionada com o comportamento da oposição, que têm paralisado o país", disse à Lusa a socióloga, enquanto empunhava um cartaz de apoio a Dilma Rousseff.

Já a bancária Elisa Tomoko Sai, de 53 anos, disse que compareceu no protesto para defender a democracia, lutar pelos direitos cívicos e mostrar com aquilo que considera ser a condução seletiva das investigações de corrupção na Petrobras.

"Todo mundo já percebeu que apenas um grupo político está sendo investigado, mesmo existindo citações de nomes de outros partidos. Estou apoiando a democracia e o PT", esclareceu, visivelmente emocionada.

A iniciativa, convocada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), centrais sindicais, grupos de esquerda e estudantes, ocorreu de forma pacífica, com muitos discursos políticos e apresentações musicais.

Segundo um dos organizadores, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o evento juntou cerca de 380 mil pessoas. Para a Polícia Militar foram 85 mil.

Já o Datafolha, uma empresa de estatísticas que faz medições destes eventos no país, estimou a presença de 90 mil participantes.

Contestados pelos partidos de oposição e por milhares de brasileiros que têm se reunido para pedir o fim do governo do PT, alguns de seus representantes mais conhecidos e lideres dos grupos políticos de esquerda estiveram na manifestação.

O atual prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o recém-nomeado ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, foram alguns dos nomes que discursaram.

Haddad salientou que a ação constituía uma grande demonstração de apoio à democracia, fazendo duras críticas às investigações da Operação Lava Jato, referente a desvios de dinheiro e corrupção na petrolífera estatal Petrobras, que tem envolvido nomes históricos do PT.

"O que se tem hoje no Brasil [com a Lava Jato] é um julgamento sumário. Estamos aqui para apoiar a democracia e a Constituição", disse Haddad.

Lula da Silva, que recentemente foi obrigado a depor na operação policial e teve escutas telefónicas divulgadas pelo Ministério Público, adotou um discurso pacifista.

Agora, "estava de novo no governo apoiando a presidente Dilma Rosuseff", afirmando que voltou a ser "o Lula paz e amor".

"Meu principal objetivo é dialogar com todos os segmentos da sociedade", frisou.

Na assistência, o publicitário Thiago Abreu, de 31 anos, disse à Lusa que não veio até o protesto para defender o Lula ou o PT, mas sim a democracia.

"Sou contra o que o juiz Sérgio Moro [líder da operação Lava Jato] faz. Ele está jogando gasolina na fogueira e isso me incomodou muito. Gostei do discurso do Haddad e sou a favor da democracia", concluiu.

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