NASA lança sonda New Horizons para viagem de nove anos a Plutão

A agência espacial norte-americana NASA planeia lançar terça-feira a sonda New Horizons até Plutão, o planeta mais afastado do sistema solar e o único ainda não visitado por um nave terrestre.

Agência LUSA /

As características daquele planeta glacial e ainda por explorar ajudarão a desvendar os mistérios das origens do sistema solar, segundo cientistas ligados à missão.

A nave partirá de Cabo Canaveral, na Florida, para um périplo de pelo menos nove anos, decorrendo a janela de lançamento entre as 18:24 e as 20:23 (hora de Lisboa) de terça-feira.

A New Horizons será lançada por um potente foguetão Atlas V- 551 de dois andares, construído pela Lockheed Martin, que lhe dará uma enorme velocidade, de cerca de 50.000 quilómetros/hora, tornando-a o engenho espacial mais rápido de sempre.

Tal velocidade permite chegar à Lua em nove horas, a Júpiter em 13 meses e a Plutão em nove anos.

Alimentada por um gerador termoeléctrico de plutónio de apenas 200 watts, a nave passará nos inícios de 2007 perto de Júpiter, cuja força gravitacional a propulsionará a mais de 75.000 quilómetros/hora, em linha recta, até Plutão.

Se tudo correr como previsto, a New Horizons, que leva sete instrumentos científicos a bordo, chegará perto de Plutão no Verão de 2015, depois de uma viagem de 6,4 mil milhões de quilómetros, precisou Andrew Dantzler, director da divisão Sistema Solar da NASA.

A sonda, de 454 quilogramas e do tamanho de um grande piano, sobrevoará durante seis meses o planeta mais pequeno do sistema solar e também o mais afastado Sol, em volta do qual demora 248 anos a descrever uma órbita.

Poderá captar numerosas imagens de Plutão, que continua a ser um enigma 75 anos depois da sua descoberta, e recolher dados sobre a sua atmosfera e geologia.

As únicas fotografias digitais tiradas a Plutão pelo telescópio espacial Hubble são pouco nítidas.

A missão New Horizons, orçada em 650 milhões de dólares, procederá também à observações de Caronte, a principal lua de Plutão, e de dois outros satélites naturais recentemente descobertos pelo Hubble.

A sonda seguirá depois rumo à Cintura de Kuiper, uma região gelada situada atrás de Neptuno, que atravessará recolhendo informações igualmente preciosas.

Os astrónomos descobriram naquela cintura de asteróides que rodeia o sistema solar centenas de milhar de objectos celestes, chamados "anões de gelo", aparentemente semelhantes a Plutão.

Estas descobertas abriram um acalorado debate na comunidade astronómica sobre a classificação de Plutão, com uma maioria crescente a aparentá-lo com um grande asteróide.

Plutão é o mais pequeno que sete satélites naturais de planetas do sistema solar e o seu diâmetro é apenas dois terços do da Lua.

Além deste debate, as características únicas de Plutão, meio planeta, meio asteróide, e dos milhões de detritos da Cintura de Kuiper resultantes da formação do sistema solar, fazem dele um laboratório celeste único.

"Explorar Plutão e a Cintura de Kuiper equivale a fazer escavações arqueológicas na zona mais afastada do sistema solar, um local antigo onde se poderão encontrar vestígios da história da formação dos planetas", explicou Alan Stern, responsável científico da missão, astrofísico no Southwest Research Institute de Boulder, Colorado (EUA).

Para a Academia das Ciências, a exploração de Plutão, dos seus satélites e da Cintura de Kuiper figuram entre as mais altas prioridades da conquista do espaço devido à sua "importância científica fundamental para fazer avançar a compreensão do sistema solar".

A janela de lançamento prevista para terça-feira é a primeira de uma série de oportunidades que abrange 29 dias. Se for lançada nos onze primeiros dias, a sonda poderá chegar perto de Plutão no início do Verão de 2015. Fora deste período, o seu lançamento implicará um atraso de vários anos, segundo os cientistas.

Para eles, é essencial que seja lançada antes de 2010, porque depois dessa data a atmosfera de Plutão ficará gelada e transformada em neve, devido à sua grande distância do Sol.

PUB