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NATO. Capacidades europeias deverão equilibrar retirada de 5.000 soldados dos EUA
O comandante supremo aliado na Europa, o general norte-americano Alexus Grynkewich, garantiu, esta terça-feira, que a anunciada retirada das tropas norte-americanas da Europa não terá impacto nas capacidades de defesa da NATO.
"Quero sublinhar que esta decisão não tem impacto na implementação dos nossos planos de defesa regional", disse Grynkewich aos jornalistas, em resposta a uma pergunta sobre a decisão de Donald Trump de redistribuir cerca de 5.000 soldados norte-americanos estacionados na Alemanha para fora da Europa.
"À medida que os aliados reforçam as suas capacidades, os Estados Unidos podem retirar algumas das suas tropas e utilizá-las para outras prioridades globais, pelo que estou muito tranquilo com a situação atual", enfatizou. "Devemos, por isso, esperar, com o tempo, por uma redistribuição das forças norte-americanas à medida que os aliados desenvolvem as suas próprias capacidades de defesa", acrescentou, sem, no entanto, fornecer um calendário.
Donald Trump fez este anúncio depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Friedrich Merz, ter afirmado que "os americanos claramente não têm estratégia" para o Irão e que Teerão estava a "humilhar" a maior potência mundial.
A decisão da Casa Branca apanhou os Aliados de surpresa, numa altura em que se esforçavam por antecipar e coordenar uma possível retirada americana da Europa.
"À medida que os aliados reforçam as suas capacidades, os Estados Unidos podem retirar algumas das suas tropas e utilizá-las para outras prioridades globais, pelo que estou muito tranquilo com a situação atual", enfatizou. "Devemos, por isso, esperar, com o tempo, por uma redistribuição das forças norte-americanas à medida que os aliados desenvolvem as suas próprias capacidades de defesa", acrescentou, sem, no entanto, fornecer um calendário.
"Portanto, devemos esperar, com o tempo, uma redistribuição das forças norte-americanas à medida que os aliados desenvolvem as suas próprias capacidades de defesa", acrescentou, sem, no entanto, fornecer um calendário.
"Tal dependerá da capacidade dos países europeus da NATO para reforçarem as suas capacidades de defesa, de acordo com os compromissos assumidos na última cimeira da Aliança em Haia, em 2025, explicou.
Os países da NATO comprometeram-se, na altura, a alocar pelo menos cinco por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB) para despesas de segurança.
Polónia deixa garantias
"Não posso dar um calendário exacto: será um processo contínuo ao longo de vários anos", explicou ainda o General Grynkewich, esta terça-feira, sobre a retirada das tropas, após uma reunião de representantes militares dos 32 países membros da NATO. As considerações surgem na véspera da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO na Suécia, a 22 de maio, na qual irá participar Marco Rubio, secretário de Estados dos EUA. De acordo com o Departamento de Estado, Rubio irá focar a participação na necessidade de aumentar o investimento em Defesa e partilha de ónus de encargos, por parte de outros membros da Aliança.
A redução de efetivos norte-americanos não se irá sentir na Polónia, sublinhou entretanto o ministro polaco da Defesa, apesar do Pentágono ter cancelado planos de enviar para o país 4.000 soldados norte-americanos.
Wladyslaw Kosiniak-Kamysz conversou hoje ao telefone com o seu homólogo norte-americano, Pete Hegseth.
"O secretário da Defesa dos EUA confirmou que o compromisso dos Estados
Unidos com a defesa e a segurança da Polónia permanece inalterado",
escreveu depois no X.
"O processo de redistribuição das forças e recursos militares
norte-americanos na Europa está em curso, mas não foi tomada qualquer
decisão para reduzir as capacidades militares norte-americanas na
Polónia", acrescentou.
A Polónia, membro da NATO, considera a sua relação com os Estados Unidos a pedra basilar da sua segurança face ao que classifica como uma ameaça crescente da Rússia.
A Polónia, membro da NATO, considera a sua relação com os Estados Unidos a pedra basilar da sua segurança face ao que classifica como uma ameaça crescente da Rússia.
Sem calendário
A redução do número de tropas norte-americanas, anunciada no início de Maio pelo Pentágono, entrará em vigor nos próximos seis a doze meses e representa aproximadamente 15 por cento dos 36.000 soldados estacionados na Alemanha, onde esta presença desempenha um papel crucial na segurança e na economia local.
Donald Trump fez este anúncio depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Friedrich Merz, ter afirmado que "os americanos claramente não têm estratégia" para o Irão e que Teerão estava a "humilhar" a maior potência mundial.
A decisão da Casa Branca apanhou os Aliados de surpresa, numa altura em que se esforçavam por antecipar e coordenar uma possível retirada americana da Europa.
"Todos os chefes de gabinete presentes reconheceram que este tipo de ajustamento era algo que já esperavam", sublinhou o general.
"Portanto, sabe, houve coordenação, houve antecipação de que isto iria acontecer, e permaneceremos perfeitamente sincronizados com os nossos aliados daqui para a frente", prometeu ainda Grynkewich.
c/agências