Navio dos EUA abate mísseis do Iémen "potencialmente dirigidos a Israel"

Navio dos EUA abate mísseis do Iémen "potencialmente dirigidos a Israel"

O vaso de guerra USS Carney, a operar no Mar Vermelho, intercetou mísseis e drones disparados por forças apoiadas pelo Irão no Iémen e "potencialmente dirigidos a Israel", adiantou na quinta-feira o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

RTP /
Navio de guerra USS Carney - destroier norte-americano Yoruk Isik - Reuters

Os mísseis terão sido disparados pela milícia Houthi do Iémen, apoiada pelo Irão, indicou o Pentágono. Um porta-voz do Departamento de Defesa acrescentou que os mísseis eram "potencialmente dirigidos" a "alvos em Israel”, mas foram abatidos pelo vaso de guerra USS Carney, na última noite.

O contratorpedeiro norte-americano, a operar no Mar Vermelho intercetou “três mísseis de cruzeiro de ataque terrestre e vários drones” disparados a partir do território iemenita, confirmou o brigadeiro-general Patrick Ryder.As autoridades dos EUA especificaram que o USS Carney destruiu oito drones aparentemente lançados pelos Houthis.

“Não podemos dizer com certeza quais eram os alvos destes mísseis e drones, mas foram lançados do Iémen, rumo ao norte ao longo do Mar Vermelho, potencialmente em direção a alvos em Israel”, explicou Ryder em conferência de imprensa.

O brigadeiro-general declarou que as informações sobre a natureza dos disparos “ainda estão a ser processadas”. Porém, um alegado ataque pode “estar em andamento”.

A nossa resposta defensiva foi aquela que teríamos considerado como qualquer ameaça semelhante na região onde formos capazes de fazê-lo contra o nosso pessoal de interesse e os nossos parceiros”, sublinhou.
Primeiro ato militar em defesa de Israel
A cadeia televisiva norte-americana ABC observa que o recurso aos mísseis teleguiados do USS Carney para intercetar disparos que não visaram diretamente o navio é uma manobra sem precedentes no Médio Oriente.

Esta operação torna-se também o primeiro ato militar dos EUA para defender Israel, ao mesmo tempo que a Casa Branca e outros países dizem que estão a tentar conter o conflito pela via diplomática.

O incidente de quinta-feira ocorreu durante as primeiras horas da noite (hora local), quando os mísseis e drones foram detetados movendo-se para o norte, sobre as águas do Mar Vermelho.

Os mísseis disparados pelos Houthis foram intercetados por mísseis SM2 transportados a bordo do destroyer e "as interceções ocorreram sobre a água e não sobre a terra".

O USS Carney estava em trânsito para o Mar Vermelho através do Canal de Suez, na quarta-feira, por isso ainda navegava em águas que fazem fronteira com o Egito, a Península do Sinai, o Sudão, a Arábia Saudita e o Iémen.
Ataques a bases militares
Os EUA mantêm várias bases no Médio Oriente, com tropas, aviões de combate e navios de guerra. Com o apoio claro da Casa Branca às ações israelitas contra o Hamas em Gaza, o Iraque já alertou o Pentágono para uma maior ameaça às forças militares ocidentais na região.

No Iraque, segundo Washington, algumas dessas bases já sofreram ataques de drones e rockets. “Um pequeno número de soldados” ficou ferido, reportou Ryder.

Na quarta-feira, um drone atingiu as forças dos EUA na Síria, desferindo ferimentos leves a militares. Um outro dispositivo foi abatido.

“Embora não se preveja quaisquer respostas potenciais a estes ataques, direi que tomaremos todas as ações necessárias para defender as forças dos EUA e da coligação contra qualquer ameaça”, rematou o brigadeiro-general.

O USS Carney faz parte do reforço norte-americano, juntamente com o porta-aviões USS Gerald R. Ford, que foi destacado para o Mediterrâneo oriental para dissuadir o Irão e o Hezbollah de se juntarem à guerra entre Israel e o Hamas.

Na semana passada, Washington enviou dois porta-aviões, perto de dois mil fuzileiros e navios de apoio para águas do Médio Oriente.

A Casa Branca deixou claro que “não há planos ou intenções” para o uso desta força, mas reitera a disponibilidade dos meios militares, caso seja necessário, para “proteger os interesses de segurança nacional”.
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