Necessidade de agarrar alimentos "valiosos" levou Homem a tornar-se bípede

Lisboa, 25 abr (Lusa) - A necessidade de agarrar e transportar alimentos "raros e valiosos" terá levado os antepassados da espécie humana a tornarem-se bípedes, libertando as mãos e os braços para outras atividades e permitindo o desenvolvimento do cérebro, revelou um estudo.

Lusa /

A investigação desenvolvida por um grupo de cientistas das universidades de Coimbra, Cambridge e Oxford começou por uma observação de chimpanzés na Guiné Conacri que detetou a adoção frequente da posição bípede (caminhar em dois pés) quando pretendiam carregar alimentos escassos e de que gostavam especialmente.

Uma das cientistas que participou no estudo, Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra, explicou hoje à agência Lusa que "quando se trata de alimentos mais raros e mais difíceis de conseguir, adotavam mais frequentemente a posição bípede para conseguirem transportar o máximo possível, no mais curto espaço de tempo".

Assim, os braços deixavam de ser usados na locomoção e passavam a estar disponíveis para o transporte.

A constatação das cientistas portuguesas veio verificar uma teoria de 1964 que ainda não tinha base experimental, sendo a "primeira prova" e "um suporte muito importante", segundo Eugénia Cunha.

"Não há dúvida de que o bipedismo é vantajoso para transportar itens valiosos, sobretudo alimentos, e isto poderá ter acontecido quando os nossos antepassados fizeram tentativas para se tornarem bípedes", uma característica unificadora dos hominídeos, esclareceu a especialista.

Esta mudança deveu-se à necessidade de transportar alimentos, mas também as crias, e tornou possível construir instrumentos ou mesmo armas, o que "terá sido benéfico" para a evolução.

Para a cientista, a motricidade é "importantíssima" e desenvolveu-se muito desde que foram "libertadas" as mãos da função da locomoção.

A partir do momento em que o homem passou a andar sobre os dois pés, o crânio ficou equilibrado sobre o esqueleto e o cérebro desenvolveu-se de "uma maneira sem paralelo", acrescentou.

Além de Eugénia Cunha, também participaram no estudo Susana Carvalho, da Universidade de Cambridge, e Dora Biro, Universidade de Oxford.

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