Negociações sobre barragem no rio Nilo termina sem acordo
A quarta e última ronda de negociações entre a Etiópia, o Egito e o Sudão sobre a construção de uma barragem no rio Nilo, terminou esta quinta-feira sem um acordo entre as partes, anunciaram os intervenientes.
"A delegação egípcia apareceu com uma nova matriz para o processo", disse o ministro da Água e Energia da Etiópia, explicando que a proposta previa que a barragem demorasse 21 anos a encher, e não 12, como previsto.
"Isto não é aceitável para nós, de todo; penso que a delegação egípcia não estava num espírito construtivo quando vieram aqui para esta reunião", disse Sileshi Bekele, citado pela agência AP.
Os dois dias de negociações decorreram na capital da Etiópia, Adis Abeba, com responsáveis dos três países que se previa pudessem chegar a um acordo sobre os aspetos técnicos relativos à construção da Grande Barragem do Renascimento da Etiópia, o maior projeto do género em África, estimado em 4,6 mil milhões de dólares, cerca de 4,1 mil milhões de euros, atualmente em construção no rio Nilo, que passa pelo Sudão e Egito.
O Egito quer que o processo de enchimento da barragem seja mais lento, para reduzir a restrição do fluxo através do país, que depende do rio para a irrigação da sua agricultura.
Os ministros destes três países deverão na segunda-feira ir a Washington reportar as negociações aos Estados Unidos e ao Banco Mundial, que são observadores nesta questão.
Nas últimas semanas, Cairo e Adis Abeba elevaram o tom de suas declarações a respeito da barragem, com a qual a Etiópia pretende gerar 6.000 megawatts de eletricidade e controlar o fluxo de água no Nilo Azul, o maior afluente do Nilo.
O Egito acusou a Etiópia de rejeitar propostas para estabelecer mecanismos para gerir o processo de enchimento do reservatório e o sistema de libertação de água para o rio em caso de seca, o que considerou uma questão de "segurança nacional", já que disso depende a sua agricultura e a geração de eletricidade na barragem de Assuão.
Por seu lado, Adis Abeba acusou o Cairo de querer manter o `status quo` colonial e tentar impor o regime através do qual a barragem deve ser gerida.
Os trabalhos da Grande Barragem do Renascimento da Etiópia, que começou em 2011 perto da fronteira sudanesa e está concluída em 68%, deverão estar concluídos até 2023, após anos de atraso.