Netanyahu avisa que Israel pode retomar os combates em Gaza "a qualquer momento"

Com o frágil cessar-fogo ainda em vigor, e com negociações em vista para uma segunda fase do acordo, o primeiro-ministro israelita deixou o aviso de que os militares estão prontos para retomar os combates "a qualquer momento" na Faixa de Gaza. Israel anunciou ainda, este domingo, que enviou tanques para a Cisjordânia ocupada pela primeira vez em mais de 20 anos e que ordenou aos militares para se prepararem para uma "estadia prolongada", para lutar contra grupos militantes palestinianos nos campos de refugiados da região.

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

“Estamos prontos para retomar os combates intensos a qualquer momento, os nossos planos operacionais estão prontos”, disse Benjamin Netanyahu num discurso, este domingo, a uma nova classe de oficiais em Holon, transmitido ao vivo.

"Em Gaza, eliminámos a maior parte das forças organizadas do Hamas. Alcançaremos plenamente os objetivos da guerra, seja através de negociações ou de outros meios"
, acrescentou.

Também este domingo, o Governo de Israel enviou tanques para a Cisjordânia e ordenou que os militares se preparassem para uma "estadia prolongada”.


Dezenas de milhares de palestinianos já foram retirados das suas casas na Cisjordânia no mês passado, à medida que os militares se mudaram para os campos de refugiados lotados de cidades como Jenin e Tulkarm, para combater com grupos apoiados pelo Irão, incluindo o Hamas e a Jihad Islâmica.

Netanyahu ordenou que os militares aumentassem a intensidade das operações após uma série de explosões num autocarro em Telavive, na quinta-feira.

Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente palestiniano Mahmoud Abbas, condenou a decisão de levar tanques para o norte da Cisjordânia.

"Esta é uma escalada israelita perigosa que não levará à estabilidade ou à calma"
, disse.

O acordo de cessar-fogo entrou em vigor a 19 de janeiro, depois de mais de 15 meses de uma guerra desencadeada pelo ataque do movimento islâmico palestino Hamas, a 7 de outubro de 2023, em solo israelita e que devastou a Faixa de Gaza. A primeira fase da trégua, que prevê três fases para conduzir ao fim definitivo da guerra, deverá terminar a 1 de março.

No sábado, seria a sétima troca de reféns israelitas por prisioneiros palestinianos. O Hamas libertou seis reféns conforme o planeado, mas durante a troca fez encenações de combatentes do movimento extremista a exibir cinco reféns diante da multidão, antes de os entregar à Cruz Vermelha (CICV).

Em consequência, Israel decidiu adiar a libertação de mais de 600 prisioneiros palestinianos, que estava programada para horas depois, até que a libertação dos próximos reféns seja garantida "sem cerimónias humilhantes". O Hamas denunciou o atraso como uma "violação flagrante do acordo de tréguas".
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