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Netanyahu cada vez mais enfraquecido à medida que rival consegue apoio dos partidos árabes
A principal formação israelita de maioria árabe declarou, esta quinta-feira, o apoio ao centrista Gadi Eisenkot, colocando-o numa posição de vantagem para formar Governo em relação a Benjamin Netanyahu, que perdeu um aliado fundamental ultraortodoxo.
A Lista Unificada, principal formação israelita de maioria árabe, anunciou que vai transmitir ao presidente israelita Isaac Herzog a “decisão de recomendar que Gadi Eisenkot seja encarregado de formar Governo”.
Trata-se de uma “resposta ao apelo popular com vista a impedir o regresso ao poder [do primeiro-ministro cessante] Netanyahu e do seu executivo”, justificou o partido, citado pela agência AFP.
O Raam (acrónimo hebraico de Lista Árabe Unida) também declarou que vai recomendar Eisenkot para formar o próximo Governo, o que confere uma vantagem ao principal opositor de Netanyahu, embora Eisenkot também tenha descartado, até ao momento, a formação de um Governo com os dois partidos liderados por árabes.
Com o apoio dos 11 deputados da Lista Unificada e dos oito do Raam, Eisenkot passa a contar com 67 assentos parlamentares, ultrapassando a maioria de 61 cadeiras necessárias para formar uma maioria no Knesset, o Parlamento israelita.
Por outro lado, Netanyahu, que conquistou 53 assentos nas eleições, sofreu um revés esta quinta-feira, depois de o partido ultraortodoxo Judaísmo Unificado da Torá (JUT), que apoiava o primeiro-ministro israelita há três décadas, ter recusado recomendá-lo perante Herzog, optando por se abster. Com esta decisão, o número de apoios declarados ao primeiro-ministro cessante desce para 46.
Presidente reúne-se com partidos
Embora o partido de Netanyahu, Likud, tenha conquistado o maior número de votos nas eleições de 27 de outubro, nenhum bloco político conseguiu uma maioria para formar Governo, abrindo caminho a uma procura por alianças.
O presidente israelita iniciou o processo de audição dos partidos que conquistaram lugares no parlamento.
Herzog vai reunir-se separadamente com os grupos de Netanyahu e Eisenkot na sua residência, em Jerusalém, na noite desta quinta-feira, concluindo uma série de encontros com os partidos que tiveram início na quarta-feira, após o anúncio dos resultados oficiais das eleições.
Herzog tem até 11 de novembro para escolher quem considera em melhor posição para reunir apoios para formar um novo executivo, o que passa geralmente pelo maior número de recomendações dos partidos.
O candidato indigitado terá 28 dias para tentar formar Governo, um prazo que pode ser prorrogado por 14 dias.
Netanyahu mantém-se como primeiro-ministro num Governo interino até que seja formada uma nova coligação — ou até que ocorra uma nova eleição, caso nenhum candidato consiga ser bem-sucedido.
O presidente instou os partidos a fazerem o possível para evitar uma nova ronda de eleições. "Qualquer pessoa sensata só precisa de olhar para os desafios de segurança e diplomacia que temos pela frente, para as mudanças na região à nossa volta, e lembrar-se das questões que nos dividem internamente, para compreender que recai sobre nós uma imensa responsabilidade", disse Herzog.
c/agências