Nicarágua adia adoção de reforma constitucional para excluir oposição de eleições

Nicarágua adia adoção de reforma constitucional para excluir oposição de eleições

A Nicarágua adiou para setembro a adoção de uma reforma constitucional que visa excluir a oposição das eleições, como pretendido pelo Presidente Daniel Ortega, anunciou segunda-feira a copresidente Rosario Murillo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
A reforma na Constituição proposta por Daniel Ortega concederia a ele e à esposa, Rosario Murillo, poder absoluto sobre os três Poderes do Estado | Foto: Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

"Hoje começa o processo de consulta. Vai durar um mês, e vamos concluí-lo no final de agosto, para aprovar a reforma constitucional nos primeiros dias do mês da Pátria", em setembro, disse Murillo, mulher de Daniel Ortega, aos media estatais.

Murillo acrescentou que a proposta de reforma foi apresentada hoje ao corpo diplomático em Manágua. "Aguardamos os resultados deste primeiro encontro respeitoso e amigável", afirmou.

O presidente do parlamento da Nicarágua, controlado pelo partido no poder, afirmou na semana passada que os deputados iriam votar no início de agosto a lei para impedir a participação da oposição nas eleições, a pedido de Ortega.

Gustavo Porras afirmou, em entrevista à imprensa local, que o parlamento e a autoridade eleitoral iriam "identificar os elementos-chave para não deixar brechas" que permitam durante as eleições "a terrível manipulação dos impérios e dos seus lacaios".

Para efeito, uma comissão parlamentar iniciou contactos com o Conselho Supremo Eleitoral (CSE).

Daniel Ortega afirmou anteriormente que "não haverá mais eleições" no país.

O anúncio foi feito durante um comício oficial, em Manágua, para celebrar o 47.º aniversário da revolução sandinista, data que assinala a queda da ditadura em 1979.

A medida, disse, serve para impedir a oposição local, que acusou de ser vendida e submissa aos interesses norte-americanos, de utilizar as urnas para "se apoderar do Governo e do poder".

Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista. Perdeu o poder em 1990, mas foi reeleito em 2006 e, desde então, venceu sucessivas eleições (2011, 2016 e 2021) amplamente criticadas por observadores internacionais por não serem livres nem justas, devido à prisão de candidatos da oposição e à falta de concorrência credível.

A primeira-dama, Rosario Murillo, tornou-se vice-presidente da Nicarágua em janeiro de 2017.

Em fevereiro de 2025, o seu cargo foi elevado a copresidente da Nicarágua, através de reformas constitucionais.

 

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