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Níger acolhe filho de Kadhafi e Guiné-Bissau abre a porta ao pai
Um dos filhos de Muammar Kadhafi recebeu refúgio no Níger. O Governo de Niamey diz que acolheu Saadi Kadhafi “por razões humanitárias,” como já tinha feito a outros lealistas do deposto regime líbio. O paradeiro do coronel Kadhafi continua a ser desconhecido mas, durante o fim de semana, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau disse que ele será “muito bem-vindo” se decidir refugiar-se no país.
A chegada do filho de Kadhafi ao Níger não constituiu surpresa para as autoridades locais que, desde há vários dias, tem vindo debater o curso de ação a tomar, no caso de o próprio coronel Kadhafi decidir pedir asilo ao país.
Nas últimas semanas, três comboios de veículos fortemente armados com partidários de Kadhafi atravessaram a fronteira depois de cruzarem o deserto líbio e foram também recebidos “por razões humanitárias”, embora as autoridades de Niamey já tenham reconhecido o Conselho Nacional de Transição rebelde como sendo a autoridade na Líbia.
Marou Amadou, o ministro da Justiça do Níger, explicou que o filho de Kadhafi estava acompanhado de oito oficiais, “ de menor importância em comparação com Saadi”.
O filho futebolista de KadhafiConhecido por ter tido uma brevíssima carreira de futebolista em Itália, Saadi Kadhafi tornou-se capitão da seleção nacional líbia e liderou depois a Liga de Futebol do seu País. Depois de se retirar do desporto, envolveu-se na indústria cinematográfica e investiu, aparentemente, 100 milhões de dólares num fundo para o cinema.
No início de setembro, Saadi contactou com as autoridades rebeldes e ofereceu-se para mediar o fim dos combates, mas a oferta acabou por dar em nada.
Nessa altura Saadi Kadhafi afirmou estar nas imediações de Bani Walid mantendo-se “em movimento”. Afirmou que já não via o seu pai ou o seu irmão Sail al-Islam Kadhafi há mais de dois meses.
Declarou-se também “neutral” e disse que não estava nem do lado do seu pai nem dos rebeldes, mas afirmou-se “disponível para ajudar a negociar um cessar-fogo”.
O Governo do Níger confirmou que, desde 2 de setembro, já chegaram ao país 32 pessoas proximas de Muammar Kadhafi, incluíndo Saadi e três generais.
Os Estados Unidos tinham pedido ao Níger para deter quaisquer indivíduos que possam vir ser procurados pelas novas autoridades da Líbia, com a finalidade de os submeter à justiça.
Guiné Bissau diz-se pronta a receber o coronel
No entanto, e tal como acontece no Níger, muitas nações africanas mostram-se relutantes em fechar a porta ao coronel e aos seus familiares, em reconhecimento dos investimentos políticos e económicos que Kadhafi foi fazendo na região ao longo de vários anos.
É o caso da Guiné-Bissau cujo primeiro-ministro declarou, este fim de semana, que Muammar Kadhafi "será muito bem-vindo", se decidir ir para Bissau.
"Kadhafi, durante o seu mandato, sempre apoiou a Guiné-Bissau, as obras e o apoio que ele deu estão visíveis, não escondemos nada", disse Carlos Gomes Júnior, ao regressar a Bissau vindo da Cidade da Praia onde assistiu à tomada de posse do Presidente de Cabo Verde.
O primeiro-ministro da Guiné Bissau acrescentou que o seu país é solidário com o povo líbio, "Mas o Presidente Kadhafi merece-nos todo o respeito".
O mandado de captura do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade que pende sobre o fugitivo líder líbio, não representa, segundo Gomes Júnior, qualquer obstáculo.
"Não estamos com o mandato internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional, não aderimos à convenção de Roma, portanto somos livres, enquanto Estado, de acolhermos os nossos amigos", disse.
Recentemente, a Mulher de Muammar Kadhafi e dois outros filhos e familiares fugiram para a Argélia, que também invocou razões humanitárias para os receber.
Dissenções entre os rebeldes À semelhança de outros Estados da região, a Argélia tem-se mostrado relutante em reconhecer oficialmente os novos senhores da Líbia. Hoje mesmo, o ministro dos negócios estrangeiros argelino disse que o país reconhecerá os novos líderes, quando estes formarem um novo governo, “representativo de todos os Líbios”
A Trípoli chegaram entretanto alguns dos principais elementos do Conselho de Transição, incluindo o primeiro-ministro em exercício e o chefe do conselho de Transição. Mahmoud Jibril e Mustafa Abdul-Jalil dizem que os rebeldes vão formar um novo governo já nos próximos dias.
Mas a tarefa pode revelar-se difícil, pois os rebeldes estão divididos em muitos bandos e fações, e alguns deles recusam-se a ficar sob a alçada do Conselho Nacional de Transição.
A situação militar também parece ter entrado num impasse. Às notícias de dissensões no campo rebelde junta-se a resistência dos apoiantes de Kadhafi que continuam a resistir em Bani Walid e em Sirte, apesar dos vários ataques que a aviação da NATO tem vindo a fazer às posições lealistas.
Nas últimas semanas, três comboios de veículos fortemente armados com partidários de Kadhafi atravessaram a fronteira depois de cruzarem o deserto líbio e foram também recebidos “por razões humanitárias”, embora as autoridades de Niamey já tenham reconhecido o Conselho Nacional de Transição rebelde como sendo a autoridade na Líbia.
Marou Amadou, o ministro da Justiça do Níger, explicou que o filho de Kadhafi estava acompanhado de oito oficiais, “ de menor importância em comparação com Saadi”.
O filho futebolista de KadhafiConhecido por ter tido uma brevíssima carreira de futebolista em Itália, Saadi Kadhafi tornou-se capitão da seleção nacional líbia e liderou depois a Liga de Futebol do seu País. Depois de se retirar do desporto, envolveu-se na indústria cinematográfica e investiu, aparentemente, 100 milhões de dólares num fundo para o cinema.
No início de setembro, Saadi contactou com as autoridades rebeldes e ofereceu-se para mediar o fim dos combates, mas a oferta acabou por dar em nada.
Nessa altura Saadi Kadhafi afirmou estar nas imediações de Bani Walid mantendo-se “em movimento”. Afirmou que já não via o seu pai ou o seu irmão Sail al-Islam Kadhafi há mais de dois meses.
Declarou-se também “neutral” e disse que não estava nem do lado do seu pai nem dos rebeldes, mas afirmou-se “disponível para ajudar a negociar um cessar-fogo”.
O Governo do Níger confirmou que, desde 2 de setembro, já chegaram ao país 32 pessoas proximas de Muammar Kadhafi, incluíndo Saadi e três generais.
Os Estados Unidos tinham pedido ao Níger para deter quaisquer indivíduos que possam vir ser procurados pelas novas autoridades da Líbia, com a finalidade de os submeter à justiça.
Guiné Bissau diz-se pronta a receber o coronel
No entanto, e tal como acontece no Níger, muitas nações africanas mostram-se relutantes em fechar a porta ao coronel e aos seus familiares, em reconhecimento dos investimentos políticos e económicos que Kadhafi foi fazendo na região ao longo de vários anos.
É o caso da Guiné-Bissau cujo primeiro-ministro declarou, este fim de semana, que Muammar Kadhafi "será muito bem-vindo", se decidir ir para Bissau.
"Kadhafi, durante o seu mandato, sempre apoiou a Guiné-Bissau, as obras e o apoio que ele deu estão visíveis, não escondemos nada", disse Carlos Gomes Júnior, ao regressar a Bissau vindo da Cidade da Praia onde assistiu à tomada de posse do Presidente de Cabo Verde.
O primeiro-ministro da Guiné Bissau acrescentou que o seu país é solidário com o povo líbio, "Mas o Presidente Kadhafi merece-nos todo o respeito".
O mandado de captura do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade que pende sobre o fugitivo líder líbio, não representa, segundo Gomes Júnior, qualquer obstáculo.
"Não estamos com o mandato internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional, não aderimos à convenção de Roma, portanto somos livres, enquanto Estado, de acolhermos os nossos amigos", disse.
Recentemente, a Mulher de Muammar Kadhafi e dois outros filhos e familiares fugiram para a Argélia, que também invocou razões humanitárias para os receber.
Dissenções entre os rebeldes À semelhança de outros Estados da região, a Argélia tem-se mostrado relutante em reconhecer oficialmente os novos senhores da Líbia. Hoje mesmo, o ministro dos negócios estrangeiros argelino disse que o país reconhecerá os novos líderes, quando estes formarem um novo governo, “representativo de todos os Líbios”
A Trípoli chegaram entretanto alguns dos principais elementos do Conselho de Transição, incluindo o primeiro-ministro em exercício e o chefe do conselho de Transição. Mahmoud Jibril e Mustafa Abdul-Jalil dizem que os rebeldes vão formar um novo governo já nos próximos dias.
Mas a tarefa pode revelar-se difícil, pois os rebeldes estão divididos em muitos bandos e fações, e alguns deles recusam-se a ficar sob a alçada do Conselho Nacional de Transição.
A situação militar também parece ter entrado num impasse. Às notícias de dissensões no campo rebelde junta-se a resistência dos apoiantes de Kadhafi que continuam a resistir em Bani Walid e em Sirte, apesar dos vários ataques que a aviação da NATO tem vindo a fazer às posições lealistas.