No Afeganistão polícia abre inquérito a eventual lapidação de mulher por adultério
A polícia afegã abriu hoje um inquérito depois de ter sido informada de que uma mulher suspeita de adultério foi sexta-feira lapidada até à morte na província de Badakshan, nordeste do Afeganistão, informaram autoridades locais.
"Tivemos informações indicando que uma mulher foi lapidada até à morte no distrito de Urgu", província de Badakshan, situada a 370 quilómetros a Norte de Cabul, "depois de uma decisão do mollah (chefe religioso) Mohammed Yusof", indicou à AFP o chefe da polícia provincial, tenente Shah Jahan Noori.
"Enviámos uma delegação para a região para verificar esta informação", precisou, acrescentando que as autoridades afegãs "condenarão severamente este acto irresponsável", se for confirmado.
"As decisões pertencem à justiça e não aos dignitários locais.
Os culpados serão detidos e punidos" se os factos forem provados, disse.
A comissão independente afegã dos direitos humanos (AIHRC), que enviou igualmente uma equipa para o local, indicou, pelo seu lado, que a mulher não foi lapidada, mas morta pela família do marido.
"As nossas informações indicam que a mulher foi morta pela família do marido por ter uma ligação com outro homem. O homem com o qual ela teve uma ligação foi chicoteado em público", indicou à AFP o porta-voz da comissão, Nader Nadery.
A polícia local também indicou que o marido regressou recentemente ao Afeganistão, depois de cinco anos passados no Irão, e que a esposa pediu a separação.
O marido e a família descobriram depois que ela teria uma ligação com outro homem e decidiram fazer justiça pelas próprias mãos, de acordo com a comissão.
O governador provincial adjunto, Haji Shamsul-Rehman, indicou que, se foi descoberta uma ligação extra-conjugal, a mulher deveria ter sido julgada na justiça e não condenada à morte por um mollah.
Durante o regime fundamentalista talibã (1996-2001), as mulheres foram regularmente lapidadas até à morte por adultério no Afeganistão.