No Brasil secretário-geral do PT deixa o cargo nom meio de denúncias de corrupção

O secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT), Silvio Pereira, demitiu-se segunda-feira na sequência de uma série de denúncias que atingem o partido e o governo Lula da Silva.

Agência LUSA /

Silvio Pereira, homem de confiança do ex-ministro da Casa Civil da Presidência, José Dirceu, foi um dos acusados pelo deputado Roberto Jefferson, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de intermediar a negociação de cargos no governo para aliados.

A acusação insere-se numa série de denúncias feitas por Jefferson sobre a existência de um esquema que consistiria no pagamento de 30 mil reais (10 mil euros) por mês (o chamado "mensalão") feito pelo PT a deputados da base aliada para votarem a favor do governo no Congresso.

Na carta entregue ao presidente do PT, José Genoino, Silvio Pereira pede para ficar afastado de suas funções até o final do trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está a investigar as denúncias no Congresso Nacional.

A Executiva Nacional do PT vai reunir-se esta terça- feira, em São Paulo, para analisar o agravamento da crise política.

A ala esquerda do partido defende o afastamento imediato também do presidente nacional do PT, José Genoino, e do tesoureiro Delúbio Soares, que teria uma estreita ligação com o homem acusado de operar o "mensalão", o empresário de publicidade Marcos Valério de Souza.

No passado fim-de-semana a revista "Veja" publicou documentos do Banco Central que comprovam a ligação comercial do PT com Marcos Valério, cujas empresas de publicidade têm vários contratos com o governo federal.

De acordo com os documentos, o empresário foi avalista de um empréstimo de 2,4 milhões de reais (852 mil euros) feito pelo PT em 2003 e chegou mesmo a pagar parcelas atrasadas do empréstimo.

Segundo dados oficiais, Marcos Valério acumulou nos últimos sete anos um património declarado de 14 milhões de reais (cinco milhões de euros).

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