No México mais de 300 pedidos de aborto na capital desde a despenalização

Os hospitais da Cidade do México receberam mais de 300 pedidos de interrupção voluntária da gravidez (IGV) desde a aprovação da lei de despenalização do aborto, anunciaram hoje as autoridades de saúde locais.

Agência LUSA /

A medida, aprovada a 27 de Abril apesar da oposição feroz dos meios católicos que exigiam um referendo, permite abortar durante as 12 primeiras semanas de gestação e só diz respeito à capital mexicana.

Recebemos 700 pedidos de informação e mais de 300 pedidos de aborto.

Várias centenas de pedidos foram programados e dezenas de actos já realizados", indicou o responsável da saúde para o Distrito Federal da Cidade do México.

"A procura real não foi uma procura enorme mas, digamos, normal", estimou o funcionário do Distrito que tem oito milhões de habitantes. Um décimo das mulheres que já fizeram um aborto é menor, precisou.

O aborto clandestino é amplamente praticado no México em condições de higiene com frequência lamentáveis. Segundo o partido de esquerda Alternativa social-democrata, a prática clandestina da IGV causou a morte de 1.500 mulheres em dez anos.

Na América Latina, onde a Igreja exerce uma forte influência, o aborto fora de circunstâncias excepcionais (violação, perigo para a saúde da mãe) só é legal em Cuba.

Enquanto isto, o governo do Distrito Federal da Cidade do México negou hoje que a indústria cosmética esteja a utilizar os restos dos abortos que se praticam nos hospitais públicos da cidade, como diz a organização civil ultra-conservadora Pró-vida.

Esses restos são incinerados, segundo Manuel Mondragón, secretário da Saúde do governo do Distrito Federal da Cidade do México.

Todavia, Jorge Serrano Limón, líder de Pró-vida, que hoje organizou um protesto em frente da sede do governo da capital, assegurou que há um "mercado negro" da coméstica, e pediu que os restos dos abortos lhe sejam entregues para "lhes dar uma sepultura digna".

Mondragón sustentou perante a imprensa que uma vintena de interrupções de gravidez que se realizou em diversos hospitais da Cidade do México desde a aprovação da despenalização se processou en conformidade com a lei.

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