Nobel da Física distingue trabalhos sobre o Cosmos

Os estudos no campo do Cosmos de James Peebles, por um lado, e de Michel Mayor e Didier Queloz, por outro, foram este ano os premiados do Nobel da Física.

RTP /
Academia Nobel

A Academia Real das Ciências da Suécia atribuiu esta terça-feira o Nobel da Física a estudos sobre o Cosmos. O prémio será repartido numa metade para James Peebles, de nacionalidade canadiana e norte-americana, e a outra para os suíços Michel Mayor e Didier Queloz.

Phillip James Edwin Peebles é um físico de 84 anos. Nascido no Canadá, tem também nacionalidade norte-americana. Foi distinguido pelo seu contributo para melhor se conhecer a história do universo desde o Big Bang.


Michel Mayor é um astrónomo suíço de 77 anos. Em 1995, descobriu o primeiro planeta extra-solar, o 51 Pegasi.

Didier Queloz, que descobriu com Michel Mayor o Pegasi, tem 53 anos.


Os astrónomos usaram o método de velocidade radial no Observatório de Genebra. Foi essa descoberta que lhes valeu esta terça-feira a atribuição do Nobel da Física.
Nobel para novos saberes sobre o Universo

O Prémio Nobel da Física 2019 foi atribuído a estes três cientistas por novas teorias em cosmologia e pela descoberta do planeta extra-sistema solar na órbita de uma estrela como o Sol.


“Os laureados deste ano mudaram a nossa concepção do universo”, considerou a Academia Real Sueca de Ciências numa declaração que acompanhou o anúncio do prémio.

“Enquanto as descobertas teóricas de James Peebles contribuíram para a nossa compreensão da forma como evoluiu o universo após o Big Bang, Michel Mayor e Didier Queloz exploraram por seu lado as nossas vizinhanças no Cosmos em busca de planetas desconhecidos. As suas descobertas mudaram ara sempre as nossas concepções sobre esta matéria”.O trabalho de James Peebles "é a base do conhecimento atual da história do Universo, do Big Bang até ao presente".

A Academia considera que a descoberta do Pegasi inaugurou uma era nesta área, contribuindo em última instância para a busca da resposta à eterna pergunta: “Haverá uma vida por aí para além da nossa?”.

Através do uso de ferramentas teóricas e do cálculo, James Peebles conseguiu ler a os rastos de radiação desde a infância do universo e assim descobrir novos processos físicos, assinala a Academia Sueca.

O trabalho de Peebles, professor na Universidade de Princeton, permitiu chegar ao modelo hoje aceite sobre a história do Universo, que terá evoluído ao longo de 14.000 milhões de anos de uma esfera quente e densa para o seu estado atual: vasto, frio e em expansão.

James Peebles “interpretou os vestígios da infância do universo e descobriu novos processos físicos”, refere a Real Academia, acrescentando que o trabalho do laureado permitiu concluir que “apenas 5 por cento do Universo observável consiste em estrelas e planetas”.

“Os restantes 95% são misteriosos e compostos do que os físicos chamam energia escura e matéria escura”, indica, referindo que se teoriza que a “chamada energia escura mova a expansão do universo, enquanto a matéria escura é a substância invisível que parece rodear as galáxias, revelando-se apenas pelo seu efeito gravitacional”.

Em entrevista à Academia, Peebles afirmou que é preciso admitir que “a matéria escura e a energia escura são misteriosas, [com] muitas perguntas por responder”.

Questionado sobre a hipótese de vida em outros planetas, afirmou ter bastante certeza de que existe, mas admitiu ser muito difícil calcular se assume a mesma forma que na Terra.

Estes cientistas passam a integrar uma galeria de ilustres conhecidos onde estão, por exemplo, os nomes de Albert Einstein, Marie Curie, Niels Bohr ou Guglielmo Marconi.

Na primeira reação a esta distinção, os laureados suíços declararam que “este prémio é simplesmente extraordinário”.

Num comunicado da Universidade de Genebra, Michel Mayor e Didier Queloz relembram a “excitação” de 1995, quando descobriram o planeta fora do nosso sistema solar.

“Essa descoberta é a mais excitante de toda a nossa carreira e que ela seja agora recompensada com um Prémio Nobel é simplesmente extraordinário”, afirmam os investigadores suíços.


c/Lusa
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