Norte-americano declarado inocente após 28 anos na prisão

Apesar de sempre reivindicar ser inocente, Lamar Johnson passou os últimos 28 anos do seu meio século de vida na prisão, acusado de homicídio. Até esta terça-feira. Ontem, um juiz de um tribunal do Missouri anulou a condenação, considerando haver "provas confiáveis de inocência".

Inês Moreira Santos - RTP /
Elizabeth Frantz - Reuters

“Hoje, os tribunais corrigiram um erro – anulando a sentença de Lamar Johnson após sua condenação injusta em 1995”, anunciou o juiz David Mason, numa declaração esta terça-feira.

Depois de condenado a prisão perpétua há 28 anos, acusado pelo assassinato de Marcus Boyd em 1994, Johnson saiu do tribunal “como um homem livre”.

O tribunal considerou ainda que este é um caso que mostra que no Estado do Missouri "o direito de uma pessoa à justiça e à liberdade é mais valorizado do que a finalidade de uma condenação injusta".

O gabinete do procurador-geral do Estado, liderado pelos republicanos, vinha lutando para manter Marcus Johnson preso. Após a audiência, os advogados do homem que agora se considera ter sido injustamente condenado criticaram o gabinete do procurador-geral, dizendo que “nunca parou de alegar que Lamar era culpado e estava confortável em vê-lo definhar e morrer na prisão”.

Na declaração, divulgada no Twitter, foi ainda expressa a satisfação de ter sido anulada a sentença de Johnson, que sempre negou ter cometido algum crime, dando-lhe "oportunidade de ser o homem e membro da nossa comunidade que ele desejava ser".


À comunicação social, o juiz David Mason justificou a decisão com as "provas confiáveis de inocência real - provas tão confiáveis que passam pelo padrão de clareza".

“Isto é inacreditável”, afirmou, por seu lado, Johnson aos jornalistas quando deixava a sessão.

Os advogados Charles Weiss e Jonathan Potts "entraram com processo e venceram o primeiro caso de condenação injusta apresentado por um promotor local na história de St. Louis". Num comunicado, a equipa de defesa de Johnson referiu que, depois de uma nova investigação iniciada em 2021 ter concluído que o norte-americano era inocente, "o Ministério Público pediu ao juiz David Mason que anulasse a sentença".

“O caso de Lamar Johnson é um exemplo de como o nosso sistema judiciário imperfeito condena, frequentemente, pessoas inocentes”, disse Weiss.

Este caso "está repleto do tipo de erros que vemos com muita frequência por parte da polícia e da procuradoria, incluindo pressionar testemunhas oculares para identificar o perpetrador".

A procuradora Kim Gardner - que em agosto entrou com o processo de tentativa da libertação de Johnson, depois de uma investigação com o Projeto Inocência a convencer de que o condenado dizia a verdade - aplaudiu a decisão.

"Lamar Johnson, obrigado. Você está livre”, declarou Gardner à imprensa no local.

Johnson foi condenado em 1995 por assassinato em primeiro grau a prisão perpétua sem liberdade condicional.
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