Noruegueses escolhem novo Parlamento
Os noruegueses elegem hoje o novo Parlamento, num escrutínio em que a esquerda e a direita poderão precisar de pequenas formações como os populistas, a extrema-esquerda ou um partido pró-caça à baleia para formarem um governo de maioria.
Mais de 3,4 milhões de eleitores vão às urnas para eleger os 169 deputados do Storting, parlamento unicameral que não pode ser dissolvido.
A escolha é feita pelo método da proporcionalidade e por quatro anos - mais quatro do que em 2001.
O ponto central da campanha foi a distribuição da riqueza, num país que dispõe de reservas petrolíferas consideráveis: a direita defende uma redução contínua dos impostos e a esquerda uma melhoria do Estado-providência.
A eventualidade de uma nova candidatura de adesão da Noruega à União Europeia - depois da vitória do "não" nos referendos de 1972 e 1994 - não foi abordada nos debates antes do escrutínio, devido ao facto que a opinião pública se ter tornado eurocéptica e de nem a esquerda, nem a direita terem uma posição única sobre a questão.
Depois de ser dado como derrotado ao longo de vários meses, o actual governo minoritário, que reúne conservadores, democratas- cristãos, liberais e o seu aliado informal, o Partido do Progresso (FrP, direita populista), vê agora serem-lhe atribuídas 47,7 por cento das intenções de voto.
Com tal resultado, a coligação do primeiro-ministro, Kjell Magne Bondevik, e o FrP obteriam 84 dos 169 assentos do Parlamento, ou seja, menos um do que a maioria absoluta.
A esquerda, o Partido Trabalhista de Jens Stoltenberg e os seus aliados - a Esquerda Socialista e o Partido Centrista - obteriam 47,1 por cento dos votos, isto é, 82 mandatos, segundo a sondagem efectuada pelo Instituto Opinion, junto de 1.200 pessoas, entre 05 e 08 de Setembro.
Esta relação de forças chama a atenção para a importância de duas pequenas formações políticas, a Aliança Eleitoral Vermelha (RV, extrema-esquerda) e o Partido do Litoral, que defende os interesses dos caçadores de baleias, às quais são atribuídos um e dois assentos parlamentares, respectivamente.
Bastante popular no norte da Noruega, o Partido do Litoral poderá fazer passar a maioria de um lado para o outro do espectro político, mas o líder do partido, Steinar Bastesen, recusou-se a dizer para que lado penderia, afirmando que a formação negociará o seu apoio.