Nova emissária da ONU na Líbia começa consultas a 10 dias das presidenciais
A diplomata norte-americana Stephanie Williams, nomeada há uma semana emissária especial da ONU para a Líbia, começou hoje, a apenas 10 dias das eleições presidenciais líbias deste mês, as primeiras consultas com várias personalidades locais.
Williams, que chegou domingo a Tripoli, reuniu-se hoje com o chefe do Conselho Presidencial, Mohamed al Manfi, com quem discutiu os acontecimentos mais recentes, após a Alta Comissão Eleitoral (HNEC) ter anunciado que não publicará a lista de candidatos presidenciais admitidos até que estes resolvam os problemas legais, o que reduz as opções de cumprimento dos prazos a data marcada da votação, a 24 deste mês.
Numa nota publicada na sua página na Internet, a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL) especificou que Williams vai liderar os esforços e a mediação para manter o ritmo de preparação das eleições.
O otimismo baseia-se, refere a UNSMIL, numa taxa de participação sem precedentes, no sucesso na distribuição de cartões de eleitor e no recenseamento eleitoral de um grande número de candidatos presidenciais e a deputados - as legislativas estão previstas para um mês depois.
"Os líbios vêm sofrendo há muito tempo devido a conflitos, à fragmentação e divisão das instituições. O povo líbio merece a possibilidade de eleger os seus dirigentes nas urnas", acrescentou o órgão, felicitando o Alto Comissariado Eleitoral pelo progresso, "apesar dos muitos desafios e contratempos".
Williams, nomeada na semana passada para substituir o eslovaco Jan Kubis, já tem experiência na complexa questão da Líbia, pois ocupou o cargo de representante especial interino e chefe da missão UNSMIL durante 10 meses entre 2020 e 2021; entre 2018 e 2020, foi vice-representante político da missão.
As principais armadilhas destas eleições prendem-se com a aceitação pelas autoridades judiciárias das candidaturas do marechal Khalifa Haftar, o "homem forte" do leste do país, de Seif al-Islam Kadhafi, segundo filho e suposto herdeiro do ditador Muammar Kadhafi, deposto em 2011, e do atual primeiro-ministro interino, Abdelhamid al-Debaibah, um bilionário que fez fortuna no setor de construção com as empresas estatais do tempo do anterior regime.
O Supremo Conselho do Estado, espécie de Senado criado em 2015 durante o fracassado processo de reconciliação e que mantém laços estreitos com Turquia e Rússia, países que mais influências têm no conflito líbio, tem multiplicado os apelos para adiar a consulta presidencial para fevereiro, juntamente com as legislativas.
Em fins de novembro, depois de encerrado o prazo de entrega das candidaturas, a HNEC líbia confirmou oficialmente que as presidenciais contariam com 98 candidatos, entre eles duas mulheres.
No entanto, segundo a justiça líbia, várias questões legais impedem a validação oficial de alguns candidatos, como as de Haftar, Seif al-Islam e al-Debaibah.