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Nova expansão dos colonatos. Israel quebra promessa aos Emirados Árabes Unidos
O Governo de Benjamin Netanyahu convocou o organismo que é suposto autorizar, no próximo dia 14, novas construções em 25 colonatos na margem ocidental do Jordão, anulando assim o compromisso que assumira há apenas três semanas, ao assinar o acordo com os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Netanyahu apenas revelou ontem à noite a data prevista para a reunião do Conselho Superior de Planeamento para a Judeia e Samaria, que irá quebrar o congelamento em vigor desde há oito meses nas novas construções em territórios palestinianos, que à face da lei internacional estão ilegalmente ocupados. A decisão implica a quebra de compromissos assumidos por Israel ao assinar o acordo com os EAU, e reafirmados quando o Bahrein se junto depois a esses acordos.
A diplomacia dos EAU respondera às acusações que lhe foram dirigidas, por ter traído a causa palestiniana, alegando que conseguira o congelamento da colonização israelita nos territórios ocupados e que os acordos assinados se baseavam nessa condição.
A Casa Branca celebrou então a assinatura dos acordos como um passo histórico para a paz no Médio Oriente. Alimentou ainda expectativas de que viesse a juntar-se aos mesmos acordos a potência árabe mais importante do Golfo - a Arábia Saudita. Mas a pressa de Israel em voltar ao ritmo habitual de colonização não favorece o aliciamento da Arábia Saudita para aqueles acordos, que era suposto criarem a base de uma larga aliança anti-iraniana.
Logo no domingo, quando foi conhecida a decisão de Netanyahu, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco comentou a convocação do Conselho, segundo citação do diário israelita Jerusalem Post, como reveladora de "que Israel não desistiu dos seus planos de anexação". E, apontando o dedo aos EAU e ao Bahrein, acrescentou que "também mostra que as alegações de alguns países, de que impediram estes planos de anexação ao assinarem acordos de normalização com Israel, não passam de uma mentira".
O MNE turco sublinhou ainda que "os territórios palestinianos pertencem ao povo palestiniano", e prometeu: "Não permitiremos que este facto seja esquecido. Vamos continuar ao lado dos nossos irmãos palestinianos, a defender a causa palestiniana".