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Nova investida russa à vista. Mais de 100 localidades ucranianas atingidas em 24 horas

Nova investida russa à vista. Mais de 100 localidades ucranianas atingidas em 24 horas

Kiev relatou que as forças russas desencadearam, na quarta-feira, o maior ataque registado este ano. Foram bombardeadas mais de uma centena de cidades e pequenas localidades ucranianas. O Ministério do Interior do país tem registo de vários mortos e feridos. Acredita-se que Moscovo esteja a preparar-se para uma nova ofensiva, no momento em que há suspeitas de que a Coreia do Norte tenha fornecido a Moscovo munições de artilharia para dois meses.

Carla Quirino - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

A Rússia tem estado a treinar, há várias semanas, a sua capacidade de fogo em Avdiivka, uma cidade de elevada importância estratégica na região oriental de Donetsk, reporta o comandante local ucraniano, Vitaliy Barabash:"Avdiivka está a ser apagada, destruída. Houve mais de 40 bombardeamentos em massa contra a comunidade territorial nos últimos dias".

O militar confirmou, em declarações citadas pela BBC, as mortes de dois civis e alertou para a nova fase da guerra. Acredita que a Rússia está a preparar-se para a terceira onda de ofensivas em larga escala.

Na quarta-feira, primeiro dia de novembro, o ministro ucraniano do Interior, Ihor Klymenko, deu conta de que, “em 24 horas, o inimigo bombardeou 118 assentamentos em dez regiões”.

“Este é o maior número de cidades e aldeias atacadas desde o início do ano”, afirmou.
Mais de 100 ataques
Só na passada terça-feira, foram repelidos 20 ataques na área de Avdiivka, confirmou o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. Kiev afirma que Moscovo tem enviado reforços para a área numa tentativa de cercar e capturar a cidade.As forças russas intensificaram também os ataques à cidade de Kupyansk, na região nordeste de Kharkiv, e tentaram impedir que os militares ucranianos recuperassem o território em torno de Bakhmut.


As autoridades ucranianas também relataram que em Kremenchuk, cidade industrial onde existia a maior refinaria de petróleo do país, desativada com o início da guerra, foi agora incendiada por um drone russo. Não houve registo de vítimas, mas perto de 100 bombeiros levaram várias horas para apagar o incêndio, declarou Klymenko.

Uma outra refinaria, na região central de Poltava, também foi alvo de vários ataques da Rússia.

Bombardeamentos noturnos na região nordeste de Kharkiv mataram pelo menos uma pessoa e uma outra perdeu a vida na região sul de Kherson, de acordo com as autoridades locais.

Houve também ataques longe das linhas da frente, num bloco de apartamentos, lojas e uma farmácia na cidade de Nikopol, no sul do país, na margem do rio Dnipro.
Ao 21.º mês de guerra, o impasse, segundo Kiev
Na quarta-feira, o principal comandante militar da Ucrânia, o general Valery Zaluzhny, deixou claro de que a guerra estava agora a passar para uma fase “posicional” ou estática.

Reconheceu que a paridade entre a tecnologia e as táticas russas e ucranianas levou a um tipo de “impasse” semelhante ao observado na I Guerra Mundial.

Ao fazer uma avaliação dos avanços e recuos da guerra na Economist, Zaluzhny alerta que esta etapa beneficia Moscovo, "permitindo-lhe reconstruir o seu poder militar, ameaçando eventualmente as forças armadas da Ucrânia e o próprio Estado”.

Apesar das pesadas perdas, a Rússia ainda tem “superioridade em armas, equipamentos, mísseis e munições”, previne Zaluzhny, apelando aos aliados que forneçam mais armamento.

O comandante destacou a vantagem do poder aéreo da Rússia como um fator que tem dificultado o avanço de Kiev. Sublinha que a Ucrânia deve “realizar ataques em massa de drones para sobrecarregar as defesas aéreas da Rússia”.

“As armas básicas, como mísseis e munições, continuam essenciais. Mas as forças armadas da Ucrânia necessitam de capacidades e tecnologias militares essenciais para sair deste tipo de guerra. O mais importante é o poder aéreo”, observou.

O general conclui que seria necessário um enorme salto tecnológico para acabar com o impasse. “Provavelmente não haverá um avanço profundo e bonito”.
Kremlin nega que a guerra esteja num impasse
“Não há impasse e a Rússia sairá vitoriosa da guerra”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondendo aos comentários do comandante ucraniano Valeriyaleriy Zaluzhnyi.

Peskov diz que Zaluzhnyi errou ao fazer estes comentários e que a Rússia alcançará todos os seus objetivos.

Declarou ainda que era “absurdo” a Ucrânia falar sobre vitória no campo de batalha, especialmente agora que o general ucraniano expôs o que as forças precisariam para derrotar a Rússia.
Suspeitas de fornecimentos da Coreia do Norte
Os serviços secretos da Coreia do Sul (NIS) vieram entretanto alegar que a Coreia do Norte tem fornecido munições para a Rússia, utilizando navios e outros meios de transporte, desde o início de agosto.

Esse armamento poderá representar aproximadamente dois meses de fornecimento aos russos, declarou Yoo Sang-bum, que terá participado numa reunião na quarta-feira com autoridades dos serviços secretos.

A Coreia do Norte e a Rússia, que têm aumentado ativamente a visibilidade da sua parceria, têm negado tais alegações.
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