Nova lei anti-migrantes respeita critérios da ONU, garante Hungria

Budapeste defendeu esta quarta-feira a sua nova legislação sobre imigração, que permite a detenção e prisão de qualquer pessoa que viole a barreira que está a construir na fronteira com a Sérvia. Afirma que a nova lei está conforme à Convenção da ONU sobre os refugiados.

RTP /
Migrantes caminham ao longo de uma via férrea na Sérvia a 31 de agosto de 2015, esperando passar a fronteira com a Hungria Marko Djurica - Reuters

Em conferência de imprensa, o ministro da Justiça, Laszlo Trocsanyi, referiu que "o artigo 31 da Convenção da ONU estipula claramente que a passagem ilegal de uma fronteira é proibida se a pessoa chegar de um país onde a sua vida não está em perigo".

"Na Sérvia, tanto quanto sei, ninguém tem a vida ameaçada", sublinhou Trocsany.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados expressou terça-feira a sua inquietação sobre a nova legislação húngara, que deve entrar em vigor a 15 de setembro, referindo que pode contrariar o artigo 51 da Convenção sobre os refugiados, que autoriza qualquer pessoa, mesmo clandestina, a passar a fronteira para pedir asilo.

A nova lei húngara prevê penas de prisão até três anos para os migrantes que passem a barreira de arame farpado de cerca de 175 quilómetros que começou a erguer em maio passado na fronteira com a Sérvia.

Soldados húngaros completam com rolos de arame farpado a barreira erguida ao longo da fronteira com a Sérvia desde maio de 2015 - Foto: Reuters

Permite igualmente a criação de centros de retenção na própria fronteira, onde os migrantes deverão obrigatoriamente apresentar-se e a partir de onde poderão ser diretamente repatriados se o seu caso for rejeitado.

RTP com AFP
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