Nova revista lançada na Guiné Equatorial questiona se Obiang não merecerá o Nobel da Paz
A Guiné Equatorial, que ocupa os últimos lugares nos índices da liberdade de imprensa, lançou uma revista para acompanhar a vida do casal presidencial, questionando, na primeira edição, se Teodoro Obiang não será merecedor do Nobel da Paz.
A notícia do lançamento da "Real Equatorial Guinea" é avançada pelo gabinete de imprensa do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que classifica a publicação como "uma nova revista informativa", que será publicada, de dois em dois meses, em espanhol, inglês e mandarim.
"Um novo órgão de informação que recolhe na íntegra as atividades políticas, sociais, económicas e religiosas do casal presidencial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e Constância Mangue de Obiang, na árdua tarefa de conduzir os destinos históricos do país", refere o gabinete.
Viagens oficiais, discursos, audiências e declarações do casal presidencial concentrarão as atenções desta revista que, além de alguns pontos no país, poderá ser encontrada nas embaixadas da Guiné Equatorial.
No primeiro número, a nova publicação apresenta, a toda a largura de capa, uma fotografia do Presidente Teodoro Obiang, há mais de 40 anos no poder, elencando, no interior, prémios, reconhecimentos e ações do chefe de Estado a "favor da paz no Mundo e na Guiné Equatorial" e rematando com a pergunta: "Será que não merece o Prémio Nobel da Paz?"
A tiragem e o número de páginas da revista não foram indicados.
A Guiné Equatorial ocupava em 2019 o lugar 165.º em 180 países no índice da liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que aponta como "comuns" o controlo total dos media pelo Governo e a censura prévia.
"Sob este regime autoritário, é verdadeiramente impossível criticar o Presidente ou as forças de segurança. Não existe nenhum veículo de comunicação verdadeiramente independente no país e os poucos órgãos presentes estão sujeitos a um controle muito rígido das informações que produzem", dizem os RSF na sua avaliação sobre o país.
Segundo a organização internacional de defesa da liberdade de imprensa, na Guiné Equatorial os jornalistas podem ser demitidos, detidos, os seus programas suspensos e ter o material confiscado.
"A autocensura substitui muitas vezes a informação. Os raros jornalistas que tentam produzir informações de forma independente são vistos como desestabilizadores e inimigos do regime", acrescentam os RSF.
Desde a independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial, um dos maiores produtores de petróleo em África, ocupa os últimos lugares nos índices de desenvolvimento humano.
O país é considerado pelas organizações internacionais de direitos humanos como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo, com acusações de prisões arbitrárias, tortura de opositores e denuncias de repetidas fraudes eleitorais.
A Guiné Equatorial aderiu à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2014.
O FMI aprovou em meados de dezembro um pacote de ajuda financeira à Guiné Equatorial no valor de 282,8 milhões de dólares (cerca de 250 milhões de euros), até 2022, com uma forte componente de melhoria da governação e combate à corrupção.