Mundo
Nova Zelândia. Sem esperança de encontrar sobreviventes
É ainda incerto o número de desaparecidos na súbita erupção do vulcão mais ativo da Nova Zelândia, o "White Island", mas a polícia afasta a hipótese de encontrar quaisquer sobreviventes. Não há sinais de vida na ilha.
É esperado no local um navio, para enviar drones e outro equipamento de observação
logo na madrugada de terça-feira, de forma a avaliar ao pormenor a
situação em terra, refere um comunicado das autoridades da Nova Zelândia.
Logo após a erupção, as operações de resgate retiraram da ilha 23 feridos, a maioria com queimaduras graves. Cinco deles acabaram por não resistir aos ferimentos.
As autoridades da Nova Zelândia não avançam com um número total de vítimas, embora admitam a possibilidade de oito a 10 desaparecidos e de até 20 mortos.
A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, afirmou aos reporteres em Whakatane, uma cidade próxima do vulcão, que entre os feridos, além de neozelandeses, há turistas da Austrália, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da China e da Malásia.
Um porta-voz da polícia indicou que 31 pessoas permanecem hospitalizadas.A explosão ocorreu às 14h11 locais de segunda-feira [01h11 em Portugal continental], quando se encontravam em terra vários grupos de turistas, num número ainda por determinar.
Um porta-voz da polícia indicou que 31 pessoas permanecem hospitalizadas.A explosão ocorreu às 14h11 locais de segunda-feira [01h11 em Portugal continental], quando se encontravam em terra vários grupos de turistas, num número ainda por determinar.
É propriedade privada de uma empresa que organiza visitas turísticas. Cerca de 10 mil pessoas visitam o vulcão todos os anos.
A tragédia desta segunda-feira levanta questões sobre a segurança de visitar um vulcão ativo.
Para Ray Cas, um professor emérito da Universidade Monash, o "White Island era há muitos anos um desastre à espera de acontecer".
"Tendo-o
visitado duas vezes, sempre achei demasiado perigoso autorizar as
visitas diárias de grupos que chegam à ilha vulcânica desabitada de
barco ou de helicóptero", afirma Ray Cas, citado pelo Centro Australiano
para Informação da Ciência.
Uma grande nuvem de cinzas e rochas de até 3,6
quilómetros de altura cobriu a ilha logo após a explosão.
De acordo com geólogos neozelandeses, o vulcão
mostrava alguns sinais de atividade há algumas semanas, embora sem fazer
soar campainhas de alarme quanto a uma erupção iminent.e
Não estão excluídas novas erupções nas próximas horas ou dias, apesar da atividade sísmica ter diminuído após a explosão desta segunda-feira. A ilha permanece para já um local demasiado perigoso para as equipas de emergência.
Desaparecidos
Uma câmara de rastreamento instalada na zona da cratera captou imagens de vários grupos de escaladores a caminhar na área, até meia hora antes da erupção.
As fotografias ao vale vulcânico eram tiradas e transmitidas em direto com 10 minutos de intervalo. Na última, registada um segundo antes da erupção - que derrubou a câmara - é possível ver um único grupo a caminhar muito perto da orla da cratera.
Entre as imagens captadas por turistas, logo após a erupção, é possível ver um grupo de sobreviventes num pontão junto à água. Noutra há um helicóptero, pousado, com uma das pás amolgada e coberto de cinza.
O aparelho estaria a sobrevoar a ilha quando o vulcão explodiu, mas conseguiu pousar. Tanto a tripulação como os passageiros foram retirados do local.
Sem "sinais de vida"
A esmagadora maioria das vítimas da erupção deverá ser australiana ou neozelandesa.
O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, revelou que mais de 20 australianos, passageiros de um navio de cruzeiros, estavam em terra com guias quando ocorreu a erupção.
O comandante do Ovation of the Seas disse apenas que alguns passageiros e tripulantes estavam na ilha na altura e que não regressaram.
Entre as pessoas hospitalizadas há alguns australianos, mas só nas próximas horas poderão saber-se novos pormenores.
"A polícia acredita que todos os que podiam sair vivos da ilha foram salvos no momento da evacuação", afirmou o responsável pela corporação em conferência de imprensa. "Não há sinais de vida em qualquer ponto da ilha", disse.
"A polícia está a efetuar todas as diligências para confirmar o número exato dos que perderam a vida", garantiu.