Nova Zelândia. Sem esperança de encontrar sobreviventes

por RTP
O vulcão da Ilha Branca entrou subitamente em atividade às 14h11 locais de segunda-feira, 09 de dezembro de 2012 Lusa

É ainda incerto o número de desaparecidos na súbita erupção do vulcão mais ativo da Nova Zelândia, o "White Island", mas a polícia afasta a hipótese de encontrar quaisquer sobreviventes. Não há sinais de vida na ilha.

É esperado no local um navio, para enviar drones e outro equipamento de observação logo na madrugada de terça-feira, de forma a avaliar ao pormenor a situação em terra, refere um comunicado das autoridades da Nova Zelândia.

Logo após a erupção, as operações de resgate retiraram da ilha 23 feridos, a maioria com queimaduras graves. Cinco deles acabaram por não resistir aos ferimentos.
As autoridades da Nova Zelândia não avançam com um número total de vítimas, embora admitam a possibilidade de oito a 10 desaparecidos e de até 20 mortos.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, afirmou aos reporteres em Whakatane, uma cidade próxima do vulcão, que entre os feridos, além de neozelandeses, há turistas da Austrália, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da China e da Malásia.

Um porta-voz da polícia indicou que 31 pessoas permanecem hospitalizadas.A explosão ocorreu às 14h11 locais de segunda-feira [01h11 em Portugal continental], quando se encontravam em terra vários grupos de turistas, num número ainda por determinar.

A ilha vulcânica, desabitada, fica a cerca de 50 quilómetros da costa leste da Ilha Norte, sendo conhecida também pelo nome maori, Whakaari.

É propriedade privada de uma empresa que organiza visitas turísticas. Cerca de 10 mil pessoas visitam o vulcão todos os anos.


A tragédia desta segunda-feira levanta questões sobre a segurança de visitar um vulcão ativo.

Para Ray Cas, um professor emérito da Universidade Monash, o "White Island era há muitos anos um desastre à espera de acontecer".

"Tendo-o visitado duas vezes, sempre achei demasiado perigoso autorizar as visitas diárias de grupos que chegam à ilha vulcânica desabitada de barco ou de helicóptero", afirma Ray Cas, citado pelo Centro Australiano para Informação da Ciência.

Uma grande nuvem de cinzas e rochas de até 3,6 quilómetros de altura cobriu a ilha logo após a explosão.

De acordo com geólogos neozelandeses, o vulcão mostrava alguns sinais de atividade há algumas semanas, embora sem fazer soar campainhas de alarme quanto a uma erupção iminent.e

Não estão excluídas novas erupções nas próximas horas ou dias, apesar da atividade sísmica ter diminuído após a explosão desta segunda-feira. A ilha permanece para já um local demasiado perigoso para as equipas de emergência.
Desaparecidos
Uma câmara de rastreamento instalada na zona da cratera captou imagens de vários grupos de escaladores a caminhar na área, até meia hora antes da erupção.


As fotografias ao vale vulcânico eram tiradas e transmitidas em direto com 10 minutos de intervalo. Na última, registada um segundo antes da erupção - que derrubou a câmara - é possível ver um único grupo a caminhar muito perto da orla da cratera.


Entre as imagens captadas por turistas, logo após a erupção, é possível ver um grupo de sobreviventes num pontão junto à água. Noutra há um helicóptero, pousado, com uma das pás amolgada e coberto de cinza.


O aparelho estaria a sobrevoar a ilha quando o vulcão explodiu, mas conseguiu pousar. Tanto a tripulação como os passageiros foram retirados do local.
Sem "sinais de vida"
A esmagadora maioria das vítimas da erupção deverá ser australiana ou neozelandesa.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, revelou que mais de 20 australianos, passageiros de um navio de cruzeiros, estavam em terra com guias quando ocorreu a erupção.

O comandante do Ovation of the Seas disse apenas que alguns passageiros e tripulantes estavam na ilha na altura e que não regressaram.

Entre as pessoas hospitalizadas há alguns australianos, mas só nas próximas horas poderão saber-se novos pormenores.

"A polícia acredita que todos os que podiam sair vivos da ilha foram salvos no momento da evacuação", afirmou o responsável pela corporação em conferência de imprensa. "Não há sinais de vida em qualquer ponto da ilha", disse.

"A polícia está a efetuar todas as diligências para confirmar o número exato dos que perderam a vida", garantiu.
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