Novas sanções europeias a Moscovo visam diamantes e negócios de 47 indivíduos

As últimas propostas da União Europeia destinadas a sufocar as receitas comerciais de Moscovo incluem a proibição total da venda de diamantes brutos russos e restrições económicas a 47 cidadãos e organizações, em território da União. Entre os visados estará o filho do antigo presidente russo Dmitry Medvedev e uma prima de Vladimir Putin.

Carla Quirino - RTP /
Diamantes lapidados mostrados em Antuérpia, Bélgica Johanna Geron - Reuters

Esta nova ronda de sanções visa sufocar a força comercial da Rússia e é a mais recente de uma série de medidas destinadas a restringir as ações agressivas do país.

No 12.º pacote de sanções contra Moscovo, a ser discutido na sexta-feira pelos 27 países-membros, a Comissão Europeia propõe uma proibição de importações de bens e tecnologias russas que possam aumentar as capacidades industriais do país, incluindo a circulação na UE de uma série de metais e pedras preciosas.

As sanções também se estendem à importação do gás liquefeito de petróleo da Rússia e ainda ao reforço da implementação de um teto de preço para o petróleo russo, declararam na quarta-feira os diplomatas da UE.
Diamantes russos
No reforço das sanções contra Moscovo, a Comissão defende a proibição total da venda na UE, de diamantes russos em bruto a partir de 1 de janeiro de 2024, bem como de joias com pedras preciosas provenientes das minas da Sibéria.

Para garantir a origem dos diamantes maiores que um determinado tamanho, a Comissão Europeia propõe a aplicação do registo blockchain como medida de monitorização, a partir de março. Desta forma, a medida impedirá as importações de diamentes russos processadas em países terceiros, argumentaram fontes diplomáticas da UE.

O blockchain é um processo de certificação para bens de luxo que inclui o histórico e a origem da produção. O mecanismo de monitorização deverá ser coordenado com os países do G7, que inclui os Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha e Japão.

Se esta medida for aprovada, os cofres do Kremlin perderão, por ano, mais de 4,5 mil milhões de euros, sublinha a UE.
Evasão das sanções
A Comissão Europeia também está a tomar medidas para evitar a evasão das sanções.

Entre os 47 indivíduos que a Comissão pretende adicionar à lista de medidas punitivas a Moscovo, está Ilya Medvedev, cujo nome e data de nascimento coincidem com os dados do único filho do ex-presidente russo Dmitry Medvedev. Ilya está associado a orquestrar alegadas campanhas de desinformação e propaganda na Ucrânia.

Além de visarem indivíduos, as sanções propostas abrangem uma ampla rede de empresas e organizações russas em vários setores.

Nessa lista está ainda a prima do atual presidente da Rússia, Vladimir  Putin, Anna Tsivileva, que preside à fundação “defensores da pátria” que apoia os soldados russos que lutam na Ucrânia.
 
Apontados pela Comissão estão também a indústria de armamento, empresas de TI ligadas aos serviços de segurança do FSB e funcionários eleitorais que trabalham na Ucrânia ocupada. A rede também varre grupos militares privados como o Grupo Wagner e organizações patrióticas acusadas de “militarizar crianças ucranianas”.
Petróleo
A proposta dedicada ao preço do petróleo implica que as empresas de transporte marítimo passem a detalhar os custos de transporte e seguro das cargas petrolíferas russas que transportam. Esta medida pretende reforçar a implementação do limite máximo do preço do combustível, fixado pelo G7 em 60 dólares por barril de petróleo bruto.

O limite de preço é agora amplamente contornado pela frota paralela de petroleiros da Rússia, segundo analistas de transporte marítimo.

“A lógica de impor mais transparência é evitar que as companhias marítimas escondam o preço real do petróleo transportado pelo petroleiro, fundindo-o com os custos de transporte e seguro”, explicou um diplomata da UE, citado na Reuters.
A máquina de guerra russa
Na mira da Comissão Europeia estão também as empresas que apoiam a máquina de guerra russa.

Por exemplo, a AlfaStrakhovanie e o Complexo de Aviação Ilyushin são apontados na lista, assim como a empresa que desenvolve e opera o sistema de navegação russo Glonass, concorrente do GPS dos EUA.

O Complexo de Aviação Ilyushin é fabricante líder de aeronaves que produz o avião de transporte militar Il-76, usado regularmente por pessoal e equipamento militar russo.

A AlfaStrakhovanie, por sua vez, é considerada a maior seguradora privada da Rússia e está incluída na lista da UE por fornecer contratos de seguro ao Ministério russo da Defesa e empresas da indústria militar, bem como veículos militares utilizados pela guarda nacional russa na Ucrânia.

O acordo sobre um pacote final das medidas deverá demorar algumas semanas, uma vez que as propostas exigem o apoio unânime de todos os 27 Estados da UE.
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