Novo Bispo de Cabinda deve tomar posse em Junho

O novo Bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, deve tomar posse em Junho, apesar da contestação que a sua nomeação tem provocado entre alguns fiéis católicos do enclave, revelou hoje o Núncio Apostólico em Luanda, D. Ângelo Baccio.

Agência LUSA /

"A posse do novo Bispo de Cabinda deve realizar-se durante o mês de Junho", afirmou o Núncio Apostólico em declarações à Agência Lusa na capital angolana.

D. Ângelo Baccio realizou durante o fim-de-semana uma visita ao enclave de Cabinda, onde se viu envolvido num pequeno incidente com jovens que contestavam a nomeação do novo bispo.

"A viatura em que seguia foi cercada por um grupo de jovens que pretendia falar comigo sobre a nomeação do novo bispo, mas o problema acabou por ser resolvido", revelou o Núncio Apostólico.

Segundo D. Ângelo Baccio, o grupo de jovens que durante alguns momentos impediu a passagem do veículo em que seguia, acabou por desmobilizar depois de ter falado com sacerdotes da diocese, que os convenceram a deixar passar a viatura.

"Não houve problema de maior gravidade, acabaram por deixar passar o veículo sem mais confusão", acrescentou.

A nomeação do novo Bispo de Cabinda tem sido muito contestada por uma parte dos fiéis católicos do enclave, que exige a nomeação de um bispo natural daquela região do norte de Angola.

A contestação atingiu o seu ponto mais grave em meados de Março, quando o administrador apostólico da diocese, D. Damião Franklim, foi vaiado durante a celebração da Missa Crismal na Sé de Cabinda.

D.Damião Franklim, que também é presidente da Conferência Episcopal de Angola e S.Tomé (CEAST), teve depois que sair escoltado da igreja para não ser agredido por um grupo de populares que contestavam a nomeação do novo bispo.

Na origem deste problema está a substituição do Bispo de Cabinda, D. Paulino Madeca, que resignou por ter atingido o limite de idade.

A 11 de Fevereiro, o Papa João Paulo II nomeou D. Filomeno Vieira Dias, então Bispo Auxiliar de Luanda, para Bispo de Cabinda.

A nomeação gerou fortes protestos entre alguns dos fiéis católicos locais, que reclamam a nomeação de um bispo natural do enclave, e um grupo de sacerdotes subscreveu um documento manifestando preocupação pela nomeação de um bispo que não é natural de Cabinda.

Enquanto se aguarda a tomada de posse do novo bispo, D. Damião Franklim, natural de Cabinda, foi nomeado Administrador Apostólico da diocese, que acumulará com o cargo de Arcebispo de Luanda.

A hierarquia católica angolana instaurou um inquérito aos incidentes ocorridos a 22 de Março na Sé Catedral de Cabinda, mas as suas conclusões ainda não foram divulgadas publicamente.

Na sequência destes incidentes, a CEAST emitiu um comunicado em que "lamenta a atitude inesperada e estranha dos irmãos de Cabinda", numa alusão à recusa da nomeação do novo bispo feita pelo Papa.

No documento, a conferência episcopal recorda ser "normal" que o bispo de uma diocese seja natural de outra região do país, atribuindo os distúrbios a "círculos alheios à fé católica que querem instrumentalizar e subordinar à política a autoridade do Santo Padre".


PUB