Novo caso de Ébola enfatiza erros de protocolo nos EUA

A confirmação do segundo contágio por Ébola nos EUA reforça a ideia que os protocolos estabelecidos não têm sido devidamente respeitados. Sabe-se agora que a nova paciente diagnosticada foi autorizada a fazer uma viagem de avião pelo próprio Centro de Controlo de Doenças, quando já apresentava alguns sintomas. Novos erros que continuam a alarmar a população norte-americana.

Christopher Marques /
Kevin Lamarque, Reuters

Em cada novo caso de contágio por Ébola diagnosticado, descobrem-se novos erros no respeito pelos protocolos estabelecidos. Com o contágio da enfermeira Amber Joy Vinson, de 29 anos, os erros voltam a repetir-se e parecem cada vez mais graves.

Vinson fez parte, tal como a primeira enfermeira contagiada, da equipa que tratou do liberiano Thomas Eric Duncan. Terá sido num dos contactos com Duncan que terá contraído o vírus, o que representa, já por si, um erro protocolar. Mas o que realmente preocupa os americanos é o facto do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) ter autorizado Vinson a fazer um voo comercial, quando começava a apresentar alguns sintomas.

Amber Joy Vinson preparava-se para voar entre Cleveland e Dallas, num voo da companhia Frontier, na passada segunda-feira e encontrava-se já sob monitorização, uma vez que teve contacto com um paciente. Apresentava já uma temperatura de 37.5 graus centígrados, o que a levou a contactar previamente o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças. Com uma temperatura abaixo dos 38 graus centígrados estabelecidos como temperatura de alerta e sem sintomas como diarreia ou vómitos, o próprio CDC autorizou Vinson a voar.

No dia seguinte, ficava confirmado que a enfermeira tinha Ébola. No voo da companhia Frontier encontravam-se 132 passageiros, que fazem agora parte do número crescente de americanos susceptíveis de terem tido contacto com o vírus. O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças já assumiu que Vinson não deveria ter sido autorizada a fazer um voo comercial e prometeu evitar situações semelhantes com as pessoas que estão a ser monitorizadas.

Entretanto, a companhia já retirou da operação o avião que efetuou este voo entre Cleveland e Dallas. O aparelho foi já limpo e desinfetado e será submetido a novas operações de limpeza mais profundas, informa a Associated Press. É uma reação da companhia que tenta evitar que os passageiros tenham receio de ser transportados nos aparelhos da Frontier, uma possibilidade que já provocou uma queda da cotação em bolsa da transportadora.

Obama pede maior esforço internacional
Com os novos casos que surgem e as notícias frequentes sobre os erros no respeito dos protocolos, alguns meios de comunicação americanos questionam-se sobre a capacidade do governo federal para controlar a epidemia. As autoridades sanitárias admitem que novos casos poderão ser diagnosticados mas mantêm a confiança no controlo da epidemia. Entretanto, responsáveis de saúde foram chamados ao Congresso para explicar os erros que têm ocorrido.

Com mais de 4400 vítimas mortais no continente africano, o Ébola preocupa, cada vez mais, as autoridades sanitárias e políticas. Os novos casos têm levado, inclusivamente, Barack Obama a alterar a sua agenda política e cancelar viagens para se dedicar à resposta americana ao Ébola. Esta quarta-feira, o presidente norte-americano contactou alguns dos principais líderes europeus e apelou a um maior esforço internacional no combate à epidemia.



O presidente americano promete uma ação “muito mais agressiva” contra o vírus, e apela a que a Europa se junte neste esforço. Sem mencionar países específicos, Obama afirma que o mundo, no seu conjunto, não está a fazer o suficiente para controlar esta epidemia. E refere que há países que têm a capacidade para participar de forma mais intensa no combate e que ainda não o fizeram.

Ministros da Saúde reúnem em Bruxelas
Também na Europa, as autoridades apresentam maior preocupação com a epidemia de Ébola. Esta quinta-feira, os ministros da saúde vão reunir em Bruxelas, com a possibilidade de ser reforçada a vigilância nos aeroportos. Já antes deste encontro, Paris anunciou que vai começar a fazer testes médicos à chegada dos passageiros provenientes dos países mais afetados.

Por agora, os controlos médicos serão efetuados no aeroporto de Paris-Charles de Gaulle e destinam-se aos passageiros provenientes da Guiné-Conacry, um dos países mais afetados e que tem voos diretos com a capital francesa. Os controlos de temperatura serão efetuados antes da entrada nas instalações do aeroporto.

A Organização Mundial de Saúde prevê que, a partir de dezembro, possam surgir entre cinco e dez mil novos casos de Ébola por semana. A epidemia já provocou a morte a mais de 4500 pessoas.
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