Novo escândalo de corrupção já envolve 116 deputados e senadores brasileiros

O mais recente escândalo de corrupção do Governo do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já envolve 116 deputados e senadores, desta vez em fraudes na aquisição de ambulâncias, disseram hoje fontes parlamentares.

Agência LUSA /

O chamado escândalo das "sanguessugas" já envolve parlamentares, dezenas de empresas e pelo menos dois ex-ministros da Saúde do Governo de Lula da Silva, Humberto Costa e Saraiva Felipe.

Segundo a comissão especial criada no Parlamento brasileiro para investigar o escândalo, a fraude consistia na aquisição de ambulâncias com valores superiores aos de mercado, a partir de concursos públicos do Ministério da Saúde, ganhos sempre pelas mesmas empresas.

Em troca, os parlamentares envolvidos no esquema recebiam dinheiro, depositado directamente em contas bancárias pessoais ou de auxiliares próximos de até 100 mil reais (36,1 mil euros).

O escândalo foi descoberto por meio de gravações, autorizadas por um juiz, de conversas telefónicas entre parlamentares e os responsáveis pelas empresas.

O presidente da comissão especial, deputado António Carlos Biscaia, considerou "impressionante" o tamanho do esquema de corrupção, que envolve quase 20 por cento do total dos parlamentares brasileiros.

Nos últimos dias, a imprensa brasileira divulgou a lista dos nomes dos envolvidos no escândalo, depois da autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os envolvidos são de praticamente todos os partidos políticos e de todas os Estados brasileiros, de acordo com as investigações.

A divulgação deste escândalo coincidiu com o arranque da campanha eleitoral para as presidenciais de Outubro, em que a maioria dos envolvidos está a disputar um novo mandato parlamentar.

Os eleitores brasileiros vão eleger em Outubro, além do presidente, os 513 deputados federais e 27 senadores (um terço do total).

Nos últimos dias, "a máfia dos sanguessugas" como também é conhecido, tornou-se num dos principais temas da campanha eleitoral, com a oposição a acusar o Governo de Lula da Silva, candidato à reeleição.

Auxiliares de Lula da Silva, por seu turno, salientaram que o esquema de corrupção teria sido iniciado em 2000, durante o mandato do antigo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Por que é que o governo que estourou e investigou o esquema tem de ser posto na condição de réu?", questionou o ministro Jorge Hage, corregedor do Governo de Lula da Silva.

O principal adversário de Lula da Silva, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin acusou o actual Governo de ser a "matriz" do esquema de corrupção.

"Os deputados são as filiais, mas a matriz é o Governo (de Lula da Silva). É de lá que sai o dinheiro, é do Ministério (da Saúde), quem libera o recurso tem o dever de controlá-lo e punir essa cadeia que se estabelece para tirar dinheiro da população", disse.

Os adversários de Lula da Silva acreditam que o mais recente escândalo ajudará a resgatar a memória dos eleitores para outro escândalo de corrupção, o do "mensalão".

O escândalo do "mensalão", responsável pela mais grave crise política do actual executivo, expôs no ano passado vários deputados que recebiam dinheiro para apoiar os projectos de Lula da Silva no Parlamento.

O escândalo revelou igualmente que o Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula da Silva utilizava recursos de um saco azul para pagamento de dívidas de campanha.

O "mensalão" resultou na demissão de toda a antiga direcção do PT, além de dezenas de ministros, auxiliares e de directores de várias empresas estatais.

A senadora trotskista Helóisa Helena, candidata à presidência pelo pequeno partido de oposição, o PSOL, também tem utilizado os escândalos para atacar os seus adversários.

"Se acontecia no Governo passado e agora no Governo Lula continuou acontecendo, com requinte de vigarice política inaceitável, precisamos dizer ao povo brasileiro para poder desmontá-lo", afirmou a senadora.


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