Novo líder do Chile promete que "governo de emergência" será mais do que slogan
O novo Presidente do Chile prometeu, no discurso de tomada de posse, que o seu "governo de emergência", que visa impor um novo estilo de governação, seria mais do que apenas um slogan de campanha.
"Para lidar com estas situações de emergência na segurança, saúde, educação e emprego, o Chile precisa de um governo de emergência, e é isso que teremos (...), não é um slogan", declarou na quarta-feira José Antonio Kast.
Perante milhares de apoiantes, no palácio presidencial, La Moneda, na capital Santiago, o ultraconservador, que passou a campanha a denunciar a corrupção sistémica, sem apresentar provas, anunciou uma auditoria a todos os ministérios.
Kast disse ainda que iria ordenar a instalação de "barreiras físicas" na fronteira com a Bolívia, para impedir a entrada no Chile de imigrantes não autorizados.
O novo Presidente chileno assinou os primeiros seis decretos, sendo o mais importante o que visa reforçar as medidas punitivas e de segurança contra a imigração irregular.
O "Plano Escudo de Fronteira" ordena aos Ministérios da Defesa e do Interior que "implementem alterações na legislação para desencorajar a imigração irregular", "modifiquem as normas sobre o uso da força para gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina" e "construam barreiras físicas nas áreas necessárias".
Um segundo decreto insta os Ministérios da Defesa, do Interior e dos Ativos Nacionais a "aumentarem os recursos militares" na fronteira norte, "melhorarem a vigilância com o uso de drones e sensores optrónicos" e "melhorarem as comunicações".
O político de extrema-direita derrotou a comunista Jeannette Jara nas eleições presidenciais com promessas de combater o crime e conter a imigração ilegal, à semelhança do homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.
Kast disse que o Chile tem adversários reais, incluindo "aqueles que semearam o terror nos bairros", e acrescentou que o governo "não negociará" com criminosos e que os perseguirá e os levará à justiça.
"E aqueles que entraram violando as nossas fronteiras para cometer crimes, explorar os outros ou transformar a nossa terra numa terra de ninguém são também adversários do Chile", acrescentou.
Entretanto, outro grupo de manifestantes marchou contra Kast e contra o que chamaram de imperialismo norte-americano. A polícia fechou várias estações de metro no centro de Santiago como medida de segurança.
Embora Kast tenha evitado comentar questões controversas no país e no estrangeiro, demonstrou abertura à administração Trump e elogiou a operação norte-americana que culminou com a captura do presidente da Venezuela Nicolás Maduro.
O novo líder do Chile assinou ainda decretos para promover a reconstrução das zonas afectadas pelos recentes incêndios florestais de grandes proporções e para simplificar licenças para investimentos no país.