Novo líder do Chile promete que "governo de emergência" será mais do que slogan

Novo líder do Chile promete que "governo de emergência" será mais do que slogan

O novo Presidente do Chile prometeu, no discurso de tomada de posse, que o seu "governo de emergência", que visa impor um novo estilo de governação, seria mais do que apenas um slogan de campanha.

Lusa /
Pablo Sanhueza - Reuters

"Para lidar com estas situações de emergência na segurança, saúde, educação e emprego, o Chile precisa de um governo de emergência, e é isso que teremos (...), não é um slogan", declarou na quarta-feira José Antonio Kast.

Perante milhares de apoiantes, no palácio presidencial, La Moneda, na capital Santiago, o ultraconservador, que passou a campanha a denunciar a corrupção sistémica, sem apresentar provas, anunciou uma auditoria a todos os ministérios.

Kast disse ainda que iria ordenar a instalação de "barreiras físicas" na fronteira com a Bolívia, para impedir a entrada no Chile de imigrantes não autorizados.

O novo Presidente chileno assinou os primeiros seis decretos, sendo o mais importante o que visa reforçar as medidas punitivas e de segurança contra a imigração irregular.

O "Plano Escudo de Fronteira" ordena aos Ministérios da Defesa e do Interior que "implementem alterações na legislação para desencorajar a imigração irregular", "modifiquem as normas sobre o uso da força para gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina" e "construam barreiras físicas nas áreas necessárias".

Um segundo decreto insta os Ministérios da Defesa, do Interior e dos Ativos Nacionais a "aumentarem os recursos militares" na fronteira norte, "melhorarem a vigilância com o uso de drones e sensores optrónicos" e "melhorarem as comunicações".

O político de extrema-direita derrotou a comunista Jeannette Jara nas eleições presidenciais com promessas de combater o crime e conter a imigração ilegal, à semelhança do homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.

Kast disse que o Chile tem adversários reais, incluindo "aqueles que semearam o terror nos bairros", e acrescentou que o governo "não negociará" com criminosos e que os perseguirá e os levará à justiça.

"E aqueles que entraram violando as nossas fronteiras para cometer crimes, explorar os outros ou transformar a nossa terra numa terra de ninguém são também adversários do Chile", acrescentou.

Entretanto, outro grupo de manifestantes marchou contra Kast e contra o que chamaram de imperialismo norte-americano. A polícia fechou várias estações de metro no centro de Santiago como medida de segurança.

Embora Kast tenha evitado comentar questões controversas no país e no estrangeiro, demonstrou abertura à administração Trump e elogiou a operação norte-americana que culminou com a captura do presidente da Venezuela Nicolás Maduro.

O novo líder do Chile assinou ainda decretos para promover a reconstrução das zonas afectadas pelos recentes incêndios florestais de grandes proporções e para simplificar licenças para investimentos no país.

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