Novo ministro de Israel defende visita de judeus à Esplanada das Mesquitas

O ultranacionalista Itamar Ben Gvir, novo ministro da Segurança Nacional de Israel, garantiu hoje que continuará a visitar a Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, local reservado ao culto muçulmano e que tem sido epicentro do conflito israelo-palestiniano.

Lusa /
Reuters

Após a cerimónia de tomada posse do novo Governo israelita, realizada hoje no parlamento, Ben Gvir - um colono judeu conhecido pela sua retórica antiárabe - disse à rádio pública Kan que "obviamente" planeia continuar a visitar o local, como fazia antes de assumir o novo cargo.

O político garantiu estar "contra o racismo no Monte do Templo", como os judeus chamam à Esplanada das Mesquitas.

Este complexo, sagrado para muçulmanos e judeus, é regido por um estatuto que permite apenas o culto do Islão, sendo que os judeus só podem lá ir como visitantes e durante horários definidos, sendo que o lugar reservado às orações é o Muro das Lamentações.

O grande rabinado de Jerusalém proíbe rezar na Esplanada -- lugar sagrado para o judaísmo, onde só o rabinado pode entrar -, mas, nos últimos anos, alguns rabis mudaram essa regra, encorajando os seus seguidores a rezar ali.

Em geral, os defensores da permissão de os judeus rezarem na Esplanada das Mesquitas estão alinhados com o movimento político do sionismo religioso, que visa `judaizar` Jerusalém e defende a anexação dos territórios palestinianos ocupados.

Ben Gvir, um conhecido defensor desse movimento, liderou várias incursões de judeus no local - o terceiro mais sagrado para os muçulmanos - e há muito que advoga a mudança do estatuto daquela área, apesar da rejeição quer dos palestinianos quer de grande parte da comunidade internacional.

Essas incursões normalizaram-se a tal ponto que, este ano, foi alcançado o número recorde de 48.238 visitantes judeus na Esplanada, durante o horário em que está aberta ao turismo, de acordo com dados do Departamento do Waqf Islâmico, a fundação encarregada de vigiar a zona.

Na semana passada, o movimento islâmico Hamas, que governa `de facto` a Faixa de Gaza, alertou, num encontro com o enviado da ONU para a paz no Médio Oriente, Tor Wensland, para uma previsível escalada da tensão na Esplanada das Mesquitas, referindo que pode culminar num confronto militar entre palestinianos e Israel, como aconteceu em maio de 2021, quando 250 moradores de Gaza foram mortos.

Na quarta-feira, o rei Abdullah da Jordânia também avisou Israel para não cruzar as "linhas vermelhas" da Jordânia em relação aos locais sagrados de Jerusalém, sublinhando que "está preparado" para "um conflito".

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