Novo naufrágio na costa turca faz pelo menos 25 mortos

Foram recuperados 25 corpos e 15 sobreviventes de um naufrágio este domingo no Mar Egeu, ao largo da costa da Turquia, perto da cidade de Didim, informou a agência estatal de notícias Anatolian.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Um barco de refugiados parte da costa turca durante a madrugada de dia 5 de março, em direção à Grécia e à União Europeia Umit Bektas - Reuters

A guarda costeira turca continua à procura de mais vítimas deste naufrágio, com helicópteros e barcos rápidos.

O naufrágio coincide com a cimeira extraordinária europeia mais Turquia sobre a crise de migrantes e refugiados, marcada para esta segunda-feira em Bruxelas.
Mais de 1,2 milhões de pessoas entraram na Europa em 2015, via rotas turcas e líbias. Desde janeiro pelo menos 135.000 migrantes chegaram à Grécia, o principal ponto de chegada na União Europeia, a maioria, 126.000, vindos da Turquia.
Os naufrágios ocorridos nesta migração fizeram 418 mortos, incluindo 321 no Mar Egeu, que tentavam alcançar a silhas gregas vindos das costas turcas, revelou a Organização Internacional das Migrações dia 4 de março.

A crise levou os países dos Balcãs e do centro da Europa a encerrar as suas fronteiras e agora há milhares de pessoas bloqueadas na Grécia.O número poderá chegar aos 100.000 em breve, já que apesar do encerramento das fronteiras e das barreiras, os migrantes e refugiados continuam a atravessar o Egeu.
Exigências turcas
A Turquia é considerada uma peça-chave nesta crise, já que depende de Ancara impedir os migrantes de prosseguir viagem até à Europa, vigiar as suas costas e combater o tráfico humano.

A União Europeia concordou pagar 3 mil milhões de euros à Turquia para esta conter os migrantes no seu território mas Ancara tem dito que não chega.

O Governo chefiado pelo Presidente Reccep Tyyip Erdogan estará a tentar negociar com a União Europeia o alargamento do acordo de livre circulação de Schengen à Turquia - o que efetivamente abriria as portas da Europa a 75 milhões de cidadãos turcos.

Vozes críticas da Comissão Europeia referem que as cedências à Turquia têm sido demasiadas.

A União Europeia desenhou um plano de distribuição de milhares de migrantes e de refugiados pelos 28 países membros mas o plano praticamente não saiu do papel e poucas centenas de pessoas foram realmente recolocadas.
Portugal recebe refugiados
Portugal recebeu esta semana um grupo de imigrantes da Eritreia e acolhe esta madrugada mais um grupo de 68 pessoas, na sua maioria sírios e iraquianos. Durante a semana deverão chegar mais 50 migrantes.

A maioria será acolhida na área de Lisboa, mas os migrantes serão distribuídos por todo o território nacional.

O processo de acolhimento em Portugal e o plano Europeu tem recebido várias críticas, nomeadamente de Rui Marques, que denuncia a "lentidão" e de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de esquerda, que quer ver portugal com uma intervenção mais ativa na busca de uma solução para os refugiados.

Portugal acedeu acolher 10.000 refugiados e migrantes, mas estes poderão não querer ficar. Em 2014, um grupo de refugiados sírios intercetados na Guiné Bissau e transferidos para Portugal, desapareceu sem deixar rasto.

Um grupo de 10 migrantes que deveriam ter vindo para Portugal no início de fevereiro também está desaparecido.

Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, afirmou na ocasião que Portugal só não recebeu maior número de migrantes porque os centros de triagem na Grécia e em Itália não estão em funcionamento pleno.

Portugal regista ainda casos de crianças desacompanhadas que desapareceram, à semelhança de outros países europeus. No total, terão desaparecido na UE mais de 10.000 crianças sozinhas.
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