Novo primeiro-ministro do Paquistão exige fim de ataques com drones

No seu discurso de posse como novo primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif exigiu o fim dos tiros dos aviões automáticos norte-americanos (drones) nas zonas tribais do noroeste do Paquistão. "Nós respeitamos a soberania dos outros e eles deveriam também respeitar a nossa e a nossa independência. Esta campanha deve terminar," afirmou Sharif perante a Assembleia Nacional paquistanesa que tinha acabado de o eleger.

RTP /
Nawaz Sharif durante um discurso em Lahore, Paquistão, a 28 maio de 2013 Mohsin Raza/Reuters

A campanha norte-americana com drones contra os grupos islamitas refugiados entre as tribos da zona montanhosa do noroeste paquistanês iniciou-se em 2004 mas tem-se intensificado desde agosto 2008. O drone é atualmente uma das armas mais utilizadas pelos militares dos Estados Unidos.

Em praticamente cinco anos, quase 300 bombardeamentos com drones mataram mais de 2.000 pessoas, na sua maioria combatentes islamitas, de acordo com as próprias autoridades paquistanesas. Contudo atingem também muitas vezes as populações civis, apesar da apregoada precisão de tiro.

Sexta-feira passada, o então primeiro-ministro eleito Nawaz Sharif, condenou firmemente, como uma "violação não só da soberania e da integridade territorial mas também do direito internacional e da Carta das Nações Unidas," o mais recente ataque com aparelho não tripulado, apesar deste ter resultado na morte do nº2 dos taliban paquistaneses, Wali ur-Rehman.

Após confirmarem a morte do seu líder, o Movimento dos Taliban do Paquistão (MTP) prometeu vingar o assassínio de ur-Rehman, responsabilizou Islamabad por se aliar aos norte-americanos e retirou a sua proposta de conversações de paz a que o governo de Sharif se mostrava disposto.

Nawaz Sharif foi eleito pela Assembleia Nacional, esta quarta-feira, primeiro-ministro do Paquistão, tornando-se o primeiro homem na história do país a ocupar o cargo pela terceira vez.

Sharif, de 63 anos e eleito por larga margem devido à grande vitória do seu partido da Liga Muçulmana nas eleições de dia 11 de maio último, foi igualmente primeiro-ministro entre 1990 e 1993 e 1997 e 1999, tendo sido na altura deposto por um golpe militar liderado pelo general Pervez Musharraf.
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