Novos actos anti-semitas, tensões entre judeus e muçulmanos
Paris, 16 Jan (Lusa) - Novas agressões anti-semitas foram registadas em França, onde aumenta a tensão entre comunidades, ilustrada pela demissão de membros muçulmanos de uma associação de amizade judaico-muçulmana que censura aos seus homólogos judeus o seu "silêncio" sobre Gaza.
Um judeu sofreu ferimentos ligeiros quinta-feira à noite ao ser esfaqueado numa cidade nos arredores de Paris, uma agressão seguida de "ameaças anti-semitas", condenada pela ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie.
O jovem, de 24 anos, foi agredido quinta-feira à noite em Fontenay-sous-Bois, por dois homens que tentaram roubar-lhe a viatura e o esfaquearem porque se terão apercebido de que era judeu, segundo fontes policial e judicial.
"Constatando que ele usava um símbolo religioso israelita, os agressores ameaçaram-no com invectivas anti-semitas e deram-lhe quatro facadas", confirma a ministra do Interior num comunicado.
O jovem foi também ferido no rosto, segundo fonte judicial.
Foi aberto um inquérito por tentativa de assassínio por a vítima pertencer a uma religião.
Em Toulouse (Sudoeste), inscrições hostis a Israel foram descobertas hoje de manhã em vários pontos da cidade, designadamente numa loja de produtos Kosher. "Israel nazi" ou "sionistas nazis", estava escrito.
Enquanto isto, uma mala suspeita - que afinal estava vazia - foi destruída por agentes da brigada de minas e armadilhas depois de ter sido descoberta em Toulouse em frente de uma sinagoga, a mesma contra a qual foi lançada uma viatura que se incendiou a 05 de Janeiro.
O Consistório central de França apelou hoje às autoridades para "fazerem cessar os ataques anti-semitas".
Segundo ele, "já se registaram 66 actos anti-semitas que vão da ameaça agravada até a facadas no pescoço", em várias cidades como Lille, Metz, Toulouse, Marselha e Toulon.
A comunidade judia de França (600 mil) e a muçulmana (cinco milhões) são das mais importantes da Europa.
Desde a ofensiva israelita em Gaza que as autoridades alertaram para um risco de "importação" para França do conflito no Médio Oriente.
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