NSA acusa Europa de espionagem nos Estados Unidos

O império contra-ataca: no meio de um turbilhão de acusações contra a espionagem norte-americana, os chefes da NSA declararam hoje em audição na Câmara dos Representantes a sua convicção de que os serviços secretos europeus levam a cabo uma espionagem em larga escala nos EUA. Mas não apresentaram factos.

RTP /
James Clapper (dir.) e Keith Alexander, com um manifestante anti-espionagem ao fundo Jason Reed, Reuters

Na comissão do Congresso encarregada de avaliar os danos causados pelas notícias sobre a espionagem norte-americana na Europa, nomeadamente aquela que atingia o telemóvel da chanceler alemã, o director dos serviços secretos, James Clapper, declarou a sua convicção de que países aliados têm levado a cabo uma actividade de espionagem nos Estados Unidos.

Entre os aliados que espiam os EUA contar-se-ia a União Europeia, segundo Keith Alexander, o chefe da NSA (National Security Agency). E, além da espionagem levada a cabo até aqui, a mesma actividade manter-se-ia ainda hoje, só com uma ligeira ressalva do mesmo Alexander: "tanto quanto sei".

A serem verdadeiras, as afirmações dos dois líderes da comunidade espiã parecem talhadas para colocar a Europa numa situação mais comprometida que os EUA, por prosseguir com a sua vigilância no país aliado, num momento em que Obama dá sinais de querer proibir uma curiosidade demasiado invasiva dos seus próprios espiões sobre os aliados.

O problema das declarações de Clapper e Alexander no Congresso está em que, ao contrário das queixas europeias sustentadas em documentos divulgados por Edward Snowden, elas não se baseiam em factos e sim num a priori filosófico, devidamente enunciado por Clapper: "Espiar políticos estrangeiros de topo é o objectivo central da espionagem". E deste a priori deduz que os serviços secretos europeus certamente fazem nos EUA o mesmo que os EUA fazem na Europa.
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