Nuclear sim, mas pacífico, direitos políticos na Malásia sim, mas em abstracto - Sócrates em Nova Deli
Nova Deli, 30 Nov - A convergência de interesses no plano internacional, anunciada na 8ª cimeira União Europeia/Índia, foi aproveitada pelos jornalistas para confrontar os líderes europeus com o eventual apoio que darão à Índia nas Nações Unidas, na ambição nuclear e nos conflitos regionais.
O presidente do Conselho Europeu, José Sócrates, expressou-se hoje em inglês, contrariamente do que havia quinta-feira feito na sua intervenção na cimeira de negócios, onde discursou em português, opção que causou algum desconforto na sala e que, segundo jornalistas locais, retirou-lhe visibilidade nos noticiários televisivos indianos.
A Índia gere ainda debates internos sobre a sua eventual parceria com os Estados Unidos no campo da energia nuclear, tendo José Sócrates sido confrontado por uma jornalista indiana sobre a posição da União Europeia nessa matéria. O presidente do Conselho Europeu esclareceu que a União "compreende a importância da energia nuclear para a Índia", e adiantou que nas conversas sobre o assunto com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, deixou claro ser "importante haver uma convenção que garanta o uso pacífico da energia nuclear", não só no que respeita à índia mas a todo o mundo, numa referência a outras potências nucleares como o Paquistão, a Coreia do Norte ou o Irão.
Rodeada por conflitos políticos e militares nos países vizinhos, tais como o Paquistão, Burma, Afganistão ou Nepal, a grande questão que agita a Índia esta semana prende-se com a Malásia, onde no último sábado manifestantes indianos, que protestavam contra a alegada discriminação étnica naquele país muçulmano, foram alvo de dispersão policial com recurso à violência.
O primeiro-ministro indiano furtou-se a comentar o caso, remetendo os jornalistas para as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, por considerar inadequado fazê-lo no contexto da cimeira com a União Europeia. Frisando sempre não ter conhecimento aprofundado dos acontecimentos na Malásia, José Sócrates concedeu uma declaração de carácter geral. "A posição tradicional da União Europeia é a da defesa dos direitos cívicos e políticos, condenando sempre o uso desproporcional da violência". No final da conferência foi possível ver televisões indianas a fazer directos, citando a declaração do líder europeu.
Outro tema de política internacional com o qual José Sócrates foi confrontado foi o de um eventual apoio da União Europeia às pretensões da Índia de acesso a um lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O primeiro-ministro português fez então questão de explicar que, estando em representação de 27 países, não podia assumir a posição de Portugal, assumindo haver divergências nessa matéria no seio da União, que contudo tem uma posição comum quanto "à necessidade de reformar as Nações Unidas, adaptando-a às novas realidades do mundo de hoje".
PR
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