Número de elefantes em Moçambique mais que duplica para mais de 22 mil

Número de elefantes em Moçambique mais que duplica para mais de 22 mil

A população de elefantes mais que duplicou desde 2018 em Moçambique, passando para 22.718 mamíferos, segundo os dados do censo realizado em 2025, avançou hoje a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Os números que apresentamos são cerca de 22 mil elefantes e mostram, acima de tudo, um cenário saudável no que diz respeito à proteção da biodiversidade", disse o diretor-geral da ANAC, Pejul Calenga, citado hoje pela comunicação social.

 O último censo destes animais, em 2018, apontava para a existência de 9.122 mamíferos no país, sendo que este último realizado entre setembro e novembro de 2025, visando produzir informação científica atualizada, incluindo dados sobre doenças, ameaças, mortalidade e estratégias de conservação, apontou para um aumento exponencial destes animais.

Pejul Calenga afirmou que o aumento da população de elefantes é um fator positivo e reflete os resultados das estratégias de proteção da vida selvagem, constituindo um importante ativo para a economia baseada nos recursos naturais e contribuindo para a arrecadação de receitas para o Estado.

Ainda assim, reconheceu que este crescimento também acarreta desafios, nomeadamente o aumento dos conflitos entre seres humanos e animais, numa altura em que a população humana continua a crescer, exigindo mais espaço para assentamentos e para o desenvolvimento de atividades socioeconómicas.

"No entanto, mais do que nos centrarmos apenas nas preocupações relacionadas com os conflitos, é importante garantir os melhores mecanismos de coabitação e coexistência. Isso permitirá transformar o atual cenário da população de elefantes numa oportunidade para desenvolver um turismo assente nos recursos naturais e criar outras fontes de rendimento para as comunidades e para o país em geral", afirmou o diretor-geral da ANAC.

Os dados do censo apontam igualmente para um aumento da população de elefantes no sul de Moçambique e Pejul Calenga explicou que esta tendência resulta também da ligação das áreas de conservação nacionais com parques de países vizinhos.

"Na zona sul, onde anteriormente não registávamos uma grande população de elefantes, verificámos uma alteração significativa. Começámos a notar uma maior concentração de elefantes e de outros grandes mamíferos na área do Parque Nacional do Limpopo, na província de Gaza, devido à influência das zonas fronteiriças. Fazemos parte do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo e a livre circulação dos animais contribui para este cenário", explicou.

O censo aponta ainda para uma redução expressiva do rácio de carcaças de elefantes, de 48,35% em 2018 para 4,6% em 2025, além da diminuição da mortalidade devido ao declínio da caça furtiva em larga escala, conforme dados do censo referenciados pela Fundação para Conservação da Biodiversidade (Biofound).

O levantamento foi realizado pelo Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE), da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, sob liderança da ANAC, com financiamento da Suécia, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), no âmbito do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela Biofound.

Em fevereiro, Moçambique anunciou uma nova métrica de biodiversidade destinada a medir os impactos do desenvolvimento sobre o elefante-africano, uma espécie considerada prioritária para a conservação no país, conforme noticiado na altura pela Lusa.

O novo Censo Nacional de Elefantes e Grandes Mamíferos foi realizado em 2025, sete anos após a última contagem, com o objetivo de atualizar os dados sobre o número de animais existentes e a sua distribuição pelo território moçambicano.

A contagem deveria ser realizada de cinco em cinco anos, mas a falta de recursos condicionou o processo, explicou, em setembro, o diretor-geral adjunto da ANAC, Severiano Khoy.

Censos anteriores realizados em Moçambique registaram uma redução de 13% na população de elefantes, de 10.496 animais em 2014 para 9.122 em 2018, resultado da caça furtiva e de fenómenos naturais.

Tópicos
PUB