Número de mortos em atentado em Damasco sobe para nove
O número de mortos na sequência do atentado à bomba num café de Damasco subiu para nove, anunciaram hoje as autoridades sírias, que procuram pacificar o país após mais de dez anos de guerra civil.
O ataque, o mais mortífero desde um atentado suicida contra uma igreja há um ano, não foi reivindicado até ao momento.
Num último balanço, o Ministério da Saúde indicou nove mortos e 20 feridos.
A explosão ocorreu num café situado perto do Palácio da Justiça, numa zona muito movimentada do centro da capital.
O general das forças de segurança interna, Mohammad Khit, declarou na televisão estatal que a explosão foi causada por um engenho explosivo colocado no local.
O Ministério do Interior precisou, no canal Telegram, que se trata de uma bomba artesanal com cerca de um quilo, carregada com fragmentos de metal.
As forças sírias estabeleceram um cordão de segurança naquela área residencial e comercial, no coração de Damasco.
"Ouvi uma forte detonação por volta das 15:00 [13:00 em Lisboa] e a montra da minha loja tremeu. As pessoas correram para o café e começaram a chamar os socorros", contou à agência France-Presse (AFP) Nawar Khayyat, de 40 anos, dono de uma loja de baterias para painéis solares em frente ao Palácio da Justiça.
Outro testemunho, Mohammad al-Dahabi, proprietário de uma ótica próxima, disse ainda estar em choque: "Corri para o local e vi pessoas estendidas no chão, com sangue por todo o lado". A cena recordou "as explosões que Damasco conheceu" durante a guerra civil, entre 2011 e 2024, disse.
Peritos recolhem elementos no local, analisam imagens de videovigilância e interrogam testemunhas, no âmbito de uma investigação para "identificar os autores e todos os envolvidos", segundo o Ministério do Interior.
"Se Deus quiser, os responsáveis por esta efusão de sangue serão punidos", prometeu o governador de Damasco, Maher Edelbi, presente no local. "Sempre que o país conhece um período de estabilidade, partes mal-intencionadas tentam desestabilizá-lo", acrescentou.
A tomada de poder, por uma coligação islamista liderada por Ahmad al-Chareh, que derrubou em dezembro de 2024 o presidente Bashar al-Assad, pôs fim à guerra civil. Desde então, as autoridades procuram reunificar o país fragmentado pelo conflito e reconstruir as instituições.
O enviado especial adjunto da ONU para a Síria, Claudio Cordone, condenou o atentado e apresentou condolências às famílias das vítimas. "Quaisquer que sejam os autores, devem ser levados à justiça", escreveu na rede social X.
Egito, Jordânia, Qatar, Iraque, a Liga Árabe, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e a Turquia também condenaram o ataque.
Este atentado é o mais sangrento em Damasco desde o que visou uma igreja em junho de 2025, causando 25 mortos. Foi reivindicado por um grupo fundamentalista sunita, enquanto as autoridades atribuíram a responsabilidade ao grupo fundamentalista islâmico Estado Islâmico (EI).
A Síria de Ahmad al-Chareh, apoiada por Washington, juntou-se no ano passado à coligação internacional contra o EI.
O grupo fundamentalista islâmico tinha conquistado vastos territórios na Síria em 2014, antes de ser derrotado em 2019 pelas forças curdas sírias, apoiadas pela coligação. Mantém, no entanto, células adormecidas e apelou a desafiar o poder de Ahmad al-Chareh.
A capital tem registado vários incidentes nos últimos meses. Em 19 de maio, um soldado morreu na explosão de um carro armadilhado.