Dois portugueses envolvidos. Número de mortos em colisão de comboios em Espanha já superou os 40

O número de vítimas na colisão de comboios em Adamuz, Espanha, é já superior a 40, segundo anunciaram as autoridades espanholas. Pelo menos dois portugueses estavam no acidente.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Jon Nazca - Reuters

"Há, até ao momento, 40 mortes confirmadas", anunciou o presidente da região de Andaluzia, Juan Manuel Moreno, em conferência de imprensa. "Nas próximas 24 a 48 horas (...), poderemos saber com certeza quantas mortes foram causadas por este terrível acidente", acrescentou.

Segundo os últimos números das autoridades espanholas, há ainda 41 pessoas hospitalizadas, 12 delas nos cuidados intensivos.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou que há dois portugueses envolvidos no acidente e que ambos estão bem. O segundo português envolvido no acidente "foi atendido no hospital Reina Sofía de Córdoba, e já teve alta", disse uma fonte oficial do MNE à agência Lusa, confirmando assim que se encontram bem ambos os portugueses envolvidos neste acidente.

O acidente ocorreu por volta das 19h45 de domingo (18h45 em Lisboa), no município de Adamuz, e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, desde Madrid para Huelva, perto da fronteira com Portugal, no Algarve).

Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma "subestação" de manutenção da linha e onde há um ponto de mudança de agulhas. O comboio seguia a 205 quilómetros por hora com 289 passageiros a bordo.

Foi aberta uma investigação para apurar as causas do acidente, o mais mortífero no país nos últimos 12 anos. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu tornar públicas, "com transparência e claridade", as conclusões da investigação do acidente, que qualificou como "uma tragédia" que deixa "dor em toda a Espanha".

O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de terça-feira a quinta-feira.
Falha numa junta
Segundo a agência Reuters, os investigadores identificaram uma deficiência numa junta, mas ainda não há uma explicação oficial.

Citando uma fonte conhecedora das investigações iniciais sobre o desastre, a Reuters explica que os especialistas que estudavam o local do acidente encontraram uma junta partida nos carris, que criou uma fenda entre as secções que se alargou à medida que o comboio continuava a mover-se.

Os técnicos acreditam que a junta pode ser importante para identificar a causa exata do acidente.

A agência de notícias avança ainda que os maquinistas espanhóis tinham alertado a Adif, administradora estatal de infraestruturas ferroviárias, para o "desgaste severo" na linha Madrid-Andaluzia e noutras, de acordo com uma carta enviada pelo sindicato dos maquinistas Semaf em agosto.

Segundo o sindicato, os maquinistas notificavam "diariamente" a operadora ferroviária sobre estas preocupações. O sindicato apontava, na missiva, para buracos, irregularidades e desequilíbrios que estavam a provocar avarias frequentes e a danificar os comboios.

De acordo com o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, o comboio da Iryo, um Frecciarossa 1000, tinha menos de quatro anos e a linha férrea perto de Adamuz tinha sido completamente renovada em maio passado, no âmbito de um investimento de 700 milhões de euros. A Iryo informou que o comboio foi inspecionado pela última vez na passada quinta-feira.

c/agências
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