Número de mortos na Venezuela sobe para 589. Nove são portugueses

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Número de mortos na Venezuela sobe para 589. Nove são portugueses

Portugal vai enviar uma força operacional para a Venezuela, com 60 elementos, que deverá partir nas próximas horas. Há pelo menos nove mortos entre a comunidade portuguesa. O novo balanço feito esta sexta-feira aponta para 589 mortos na sequência de dois fortes sismos. Acompanhamos aqui a situação ao minuto

RTP / Adicionar como fonte informativa

Ronald Pena R - EPA

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RTP /

Câmara de Estarreja disponível para apoiar comunidade na Venezuela

A Câmara de Estarreja informou hoje que o Gabinete de Apoio ao Emigrante está a agilizar contactos com as entidades consulares e com as comunidades portuguesas na Venezuela.

Em comunicado, a autarquia, que tem uma significativa comunidade emigrada na Venezuela, informa que aquele gabinete "se encontra disponível para prestar todo o apoio possível, contribuindo para agilizar contatos com as entidades consulares e com as estruturas representativas das comunidades portuguesas, assegurando um acompanhamento próximo e eficaz de eventuais situações que venham a ser sinalizadas".

Segundo revela, a presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Isabel Simões Pinto, estabeleceu contacto com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.

Ao membro do Governo manifestou estar o município "disponível para prestar todo o apoio às populações afetadas, mobilizando a comunidade para eventuais campanhas solidárias, de acordo com as necessidades identificadas, ou de outras formas".

No comunicado, a Câmara de Estarreja "expressa solidariedade com o povo venezuelano e com a Comunidade Portuguesa na Venezuela".

"O município de Estarreja manifesta a sua profunda solidariedade para com o povo venezuelano, na sequência dos sismos ocorridos esta semana, que afetaram diversas comunidades e provocaram apreensão, danos e perturbações significativas no quotidiano das populações", refere o texto.

A autarquia "expressa igualmente especial preocupação e proximidade para com as centenas de milhares de emigrantes portugueses residentes na Venezuela, que mantêm uma ligação histórica, cultural e afetiva" a Portugal.

De forma particular, o município de Estarreja "dirige uma palavra de apoio aos emigrantes estarrejenses que vivem naquele território, bem como a todos aqueles que, após anos de vida e trabalho na Venezuela, regressaram a Estarreja".

"A estes nossos conterrâneos, reafirmamos o nosso reconhecimento, solidariedade e permanente disponibilidade para acompanhar as suas necessidades", sublinha Isabel Simões Pinto.
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RTP /

Equipas de busca e salvamento prontas para ajudar na Venezuela

A equipa da Associação Portuguesa de Busca e Salvamento, na Vila da Aves, em Santo Tirso, está pronta ajudar na Venezuela.

Cinco homens, três Mulheres e dois cães treinados podem a qualquer momento integrar as operações.

Alguns dos elementos já estiveram em outras situações de catástrofe internacional
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Mobilizados 520 operacionais
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União Europeia envia ajuda de emergência para a Venezuela

A Comissão Europeia está a enviar equipas de salvamento e outras formas de ajuda de emergência para a Venezuela na sequência dos dois fortes sismos que, em 24 de junho, causaram numerosas vítimas naquele país. Oito Estados-Membros — Chéquia, Espanha, Itália, França, Luxemburgo, Alemanha, Portugal e Países Baixos — disponibilizaram assistência através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.

“No âmbito da assistência europeia já foram mobilizados mais de 520 elementos de equipas de intervenção dos oito Estados-Membros referidos. A Itália envia também uma equipa médica e o Luxemburgo mobilizou equipamentos de telecomunicações, de energia e de abrigo”, lê-se numa nota enviada às redações.

Em apoio a esta resposta foi ativado o serviço de satélite europeu Copernicus em modo de cartografia de emergência. A componente de cartografia do Serviço de Gestão de Emergências do Copernicus utiliza imagens de satélite e outros dados geoespaciais para a prestação de serviços de cartografia gratuitos em casos de catástrofes naturais e de origem humana em todo o mundo.

A Venezuela é um dos principais destinatários da ajuda humanitária europeia na América Latina. Este ano, a UE afetou até 52 milhões de euros para apoiar a resposta às consequências humanitárias da crise socioeconómica naquele país. A ajuda humanitária da UE é canalizada exclusivamente através de parceiros humanitários, como as agências das Nações Unidas e as ONG internacionais, que trabalham com parceiros locais.
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KC 390 da Força Aérea pronto para partir para a Venezuela

Um avião KC 390 da Força Aérea está pronto para partir para a Venezuela e outro estará disponível amanhã. A garantia é do Ministro da Defesa que adianta que as Forças Armadas também disponibilizam apoio médico e logístico.

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RTP /

Operacionais portugueses prontos para ficar dez dias na Venezuela

Portugal vai enviar uma força operacional à semelhança da que foi enviada para a Turquia com mais de 50 elementos. São profissionais preparados a nível médico e na busca e salvamento.

Foto: Maxwell Briceno - Reuters

Devem ficar na Venezuela entre sete a 10 dia e, durante esse tempo, têm como principal missão resgatar sobreviventes.
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RTP /

Abalos fortes na Venezuela separados por 39 segundos

Os especialistas classificam o evento como um "dupleto sísmico", popularmente conhecido como sismo gémeo. O fenómeno libertou a energia que estava acumulada há mais de um século numa falha geológica da região.

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RTP /

Número de mortos na Venezuela sobe para 589

O número de mortos provocados pelos sismos na Venezuela subiu hoje para 589, enquanto estão contabilizados 2.980 feridos, anunciou a presidente interina do país.

"Infelizmente, já temos 589 mortos", disse Rodríguez durante uma reunião com responsáveis ​​militares e civis, transmitida pela televisão estatal. O número anterior de mortos era de 235.
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RTP /

Operações de busca e resgate na Venezuela contam com equipas internacionais

Com mais de 50 mil as pessoas desaparecidas, as operações de busca e resgate começam a contar agora com equipas internacionais que estão a chegar à Venezuela.

No meio da tragédia há também casos de esperança com a retirada de sobreviventes dos escombros.
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Cinquenta pessoas da comunidade lusa estão desaparecidas

Nove cidadãos portugueses e luso-descendentes morreram na sequência dos sismos na Venezuela. Há ainda mais de 50 pessoas da comunidade lusa que estão desaparecidas.

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Quinze Sapadores Bombeiros de Lisboa mobilizados para resgate de vítimas

Uma equipa de 15 elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSB) parte hoje para a Venezuela para ajudar nas operações de socorro após os dois sismos que atingiram o país, integrando uma força nacional de 60 operacionais.

Os elementos do RSB destacados para a missão de busca e resgate de vítimas na Venezuela têm experiência em cenários de catástrofe, tendo parte da equipa integrado a força nacional que esteve na Turquia, em 2023, após os sismos que causaram milhares de vítimas mortais, avançou a Câmara Municipal de Lisboa, em comunicado.

Estes operacionais vão ser liderados pelo tenente-coronel Carlos Pereira, segundo-comandante do regimento, desempenhando igualmente funções de engenheiro civil para a avaliação das estruturas.
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RTP /

Seguro falou com Montenegro sobre evolução da situação e envio de apoio

O Presidente da República, António José Seguro, falou hoje, a partir de Miami, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a evolução da situação na Venezuela, que tem estado a acompanhar, e o envio de apoio às buscas.

Esta informação foi avançada à agência Lusa por fonte oficial da Presidência da República, que referiu que o chefe de Estado "continua acompanhar em detalhe a situação na Venezuela".

"Às 07:00 (12:00 em Lisboa) da manhã em Miami, o Presidente da República e o primeiro-ministro falaram ao telefone sobre a previsível evolução da situação e o envio para a Venezuela de apoio às buscas", adiantou a mesma fonte oficial.

Pelo menos nove portugueses e lusodescendentes morreram nos sismos de quarta-feira na Venezuela.

Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

(Lusa)
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Força operacional portuguesa sai às 16h00 da base aérea de Beja

Em vez de Figo Maduro, para onde os operacionais tinham recebido indicação para estar às 15h00, a força operacional conjunta portuguesa vai descolar da Base Aérea de Beja às 16h00, segundo apurou a RTP.

A equipa é composta por um total de 60 operacionais: 27 elementos da GNR, 15 do regimento de sapadores de Lisboa, sete do INEM e 11 da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), incluindo uma equipa da Força Especial de Proteção Civil. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que vão ser enviados dois aviões com ajuda portuguesa para a Venezuela, sendo que o segundo pode sair apenas no sábado.

Paulo Rangel reiterou que esta primeira ajuda está orientada para operações de salvamento. “Neste momento, a prioridade é a operação de salvamento”, disse o ministro em declarações aos jornalistas.

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RTP /

Equipa de Vila das Aves em prontidão para ir para a Venezuela

Uma equipa de Vila das Aves está em prontidão para seguir para a Venezuela. A equipa está já a treinar caso seja necessário seguirem para a Venezuela.
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3.9 milhões de crianças em áreas afetadas pelos sismos

A UNICEF estima que cerca de 3,9 milhões de crianças vivem nas zonas afetadas, estando expostas a riscos imediatos e múltiplos impactos humanitários.

As áreas mais afetadas incluem o Distrito Capital e os estados de Miranda, Carabobo, Yaracuy, Aragua, Falcón e La Guaira, com danos extensos em comunidades urbanas e infraestruturas críticas. La Guaira foi declarada zona de desastre, com operações de busca e salvamento ainda em curso.
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RTP /

"Construções precárias" potenciaram situação devastadora

Os edifícios, na sua grande maioria, colapsaram na sequência dos sismo na Venezuela. Situação que "é normal quando temos construção de fraca qualidade, que não está preparada para resistir a um sismo desta intensidade". A explicação é de Bento Aires, diretor Nacional da Ordem dos Engenheiros.

Como em outros países, a Venezuela "tem vindo a aprofundar a sua regulamentação técnica e exigências técnicas, no projeto e na conceção de edifícios, para garantir que tem resistência estrutural". 

O problema são os edifícios mais antigos, "com construções precárias, num país (...) que esta mergulhado numa crise financeira enorme, estamos a agravar muito mais a vulnerabilidade dos edifícios e do ambiente construído".

Sendo impossível controlar e evitar a ocorrência de sismos, mas é necessário garantir que as infraestruturas "têm capacidade e resistência (...) para que as pessoas possam sair em segurança e sejam protegidas vidas humanas".

A situação na Venezuela podia ter sido menos devastadora, argumentou o especialista, "se tivessem sido adotadas medidas que garantissem a resistência" dos edifícios.
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Apoio tem de ser feito em segurança

O ministro da Defesa recordou que o principal aeroporto da Venezuela está interdito e que "todo o apoio deve ser feito em condições de normalidade possível e em segurança". Nuno Melo acrescentou que essa "avaliação está a ser feita a cada momento".
"Estamos prontos e disponíveis e os aviões prontos a seguir".

Em relação aos voos de repatriamento, o governante acrescentou que "a avaliação está a ser feita".

"Naturalmente que os voos da Força Aérea serão de apoio que transportarão para a Venezuela todos os homens e equipamentos que sejam necessários e estarão disponíveis para ações de repatriamento, se solicitadas".
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RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa

Crise social e económica na Venezuela vai aumentar de forma significativa

O secretário-geral do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas teme que os hospitais na Venezuela não consigam responder à maré de urgências que os sismos provocaram.

Foto: Ronald Pena R - EPA

Em entrevista à RTP Antena 1, Gaston Ocampo avisa que a crise social e económica em que a Venezuela já estava mergulhada vai aumentar de forma significativa, na consequência destes sismos.

“A principal preocupação é a falta de preparação nos serviços de emergência e Proteção civil. Isto pode dificultar resgates e a distribuição de ajuda”, refere Gaston Ocampo.

Oriana Barcelos – RTP Antena 1

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Um Olhar Europeu com RTVE / Adicionar como fonte informativa

Venezuela à beira do colapso: terramoto põe a nu feridas mais profundas de um Estado já no limite

Povo venezuelano está a passar por horas de angústia e incerteza sem precedentes. Após anos de divisões latentes, viu a natureza revelar as suas feridas mais profundas.

Presidência da Venezuela



Na madrugada da última quarta-feira, a terra tremeu com uma força nunca vista desde 1900. O evento sísmico que abalou o Caribe venezuelano marca um ponto de viragem na história recente do país, não só devido à dimensão da catástrofe, mas também à fragilidade das estruturas que atingiu

O epicentro foi registado em San Felipe, no estado de Yaracuy, a uma profundidade superficial de 13,2 quilómetros, e deixou um balanço oficial de, pelo menos, 188 mortos, com mais de mil feridos e milhares de desaparecidos. Além disso, verificaram-se danos estruturais extensos em Caracas e noutras zonas, o que tornou inoperacionais serviços essenciais, como o Aeroporto Internacional de Maiquetía.

O tremor principal atingiu 7,5 na escala de Richter e foi reclassificado pelo sistema de alerta de tsunami dos EUA como um "duplo sísmico" — um fenómeno raro em que dois grandes sismos ocorrem com apenas alguns segundos de intervalo —, deixando Caracas perante uma catástrofe que vai além da emergência humanitária que já vivia. Os analistas concordam que esta tragédia funciona como um catalisador, destacando a extrema vulnerabilidade das estruturas estatais da Venezuela. 

Segundo os especialistas, a situação do país antes do terramoto já era de precariedade sistémica.

A fraqueza do executivo é, talvez, o aspeto mais preocupante para quem observa a Venezuela do exterior. Este "teste" face ao terramoto não é um assunto trivial; se a resposta se revelar um fracasso retumbante, as consequências poderão ser desestabilizadoras para o próprio governo Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela desde 5 de janeiro de 2026, na sequência da captura de Nicolás Maduro pelas tropas norte-americanas dois dias antes.

A população, já exausta por anos de crise, aguarda agora para ver se a resposta oficial será capaz de a proteger ou se, mais uma vez, o Estado lhe virará as costas. "A economia venezuelana encontrava-se mergulhada numa crise profunda desde 2013, muito antes das sanções internacionais, com uma má gestão que tinha levado a pobreza das famílias a cerca de 65 por cento", afirmou Juan Manuel Trak, um cientista político venezuelano e investigador especializado em processos políticos contemporâneos, à RTVE Noticias.

É esta pobreza estrutural subjacente que leva Susana Gratius, professora de Relações Internacionais na Universidade Autónoma de Madrid, a descrever a situação atual como "catastrófica" e "a pior possível". 

Alerta que o país carecia tanto de pessoal como de infraestruturas necessárias para fazer face a uma crise desta magnitude. "O país não está preparado — isso já se sabe; há falta de bombeiros — dizem que há 15.000, mas seriam necessários mais de 80.000", afirma Gratius, sublinhando a falta de recursos.

A resposta do governo pôs em evidência a falta de transparência institucional que, segundo os especialistas, caracteriza o atual regime. Embora o ministro dos Assuntos Internos, da Justiça e da Paz, Diosdado Cabello, tenha confirmado o reforço das forças de segurança e a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, tenha declarado o estado de emergência e suspendido as aulas, o governo tem sido alvo de críticas pela sua falta de transparência. 

Trak salienta que o decreto de emergência, embora justificado dada a dimensão dos danos, é "muito pouco transparente, uma vez que não especifica exatamente o que abrange". Esta atitude não é nova, mas num momento de crise torna-se ainda mais premente para uma população que se encontra, em muitos casos, isolada das comunicações na sequência do colapso das redes telefónicas e da internet.

"A crise vai levar as pessoas a questionarem-se: até que ponto é que esta senhora — a presidente interina, ou seja lá qual é a designação — sabe realmente como gerir uma crise como esta?", interroga-se Carlos Malamud, investigador sénior do Instituto Real Elcano, que defende que esta resposta constitui um teste crucial para o governo. Malamud acrescenta que, embora Delcy Rodríguez, o seu irmão e Cabello detenham o poder, a sua posição é de "maior fragilidade política do que sob o regime de Maduro". O "protetorado" de Trump O cientista político venezuelano salienta que os Estados Unidos assumiram o controlo de facto sobre as decisões de política pública, incluindo a legislação relativa aos hidrocarbonetos e à mineração. Carlos Malamud descreve abertamente esta influência como um "protetorado". Este estatuto pode ser interpretado de duas formas: por um lado, pode facilitar uma ajuda internacional mais rápida e substancial para aliviar os efeitos do terramoto, levando outros governos de direita da região a demonstrar solidariedade, em consonância com a posição de Washington.

A estratégia dos EUA, que os especialistas descrevem como um plano em três fases que envolve estabilização, extração de recursos e democracia, foi posta em causa na sequência da catástrofe. Juan Manuel Trak adverte que o terramoto teve um impacto direto na fase de recuperação desta estratégia política, obrigando as autoridades a desviar o seu foco de uma agenda centrada na extração de recursos para uma centrada exclusivamente na sobrevivência da população civil.

Susana Gratius insiste que o plano é, na sua essência, de natureza "extrativista", uma linha de argumentação que associa à famosa frase de Donald Trump "vamos governar o país", em que o interesse principal parece ser o controlo do setor petrolífero, em vez do bem-estar do povo venezuelano.Impacto nas infraestruturas
O potencial impacto na infraestrutura petrolífera acrescenta uma dimensão devastadora de complexidade à crise humanitária. "Se este desastre afetar a infraestrutura petrolífera, obrigará o país a alterar a sua estratégia, uma vez que terá de redefinir as suas prioridades… agora a tarefa é reconstruir um país cuja infraestrutura já se encontrava muito, muito degradada", afirma Juan Manuel Trak, de forma categórica.

Os números do Financial Times relativos à dívida externa de 240.000 milhões de dólares já representavam um fardo pesado antes do terramoto; agora, com a necessidade de reconstruir as infraestruturas civis, essa dívida parece um objetivo inatingível sem uma reestruturação de grande alcance que, por enquanto, está a ser travada pela instabilidade. 

Por seu lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que centrará parte das discussões entre a organização e o Governo venezuelano na forma de dar resposta às necessidades adicionais do país na sequência dos sismos. 

Em abril passado, a organização retomou as relações com a Venezuela, que se encontravam suspensas desde 2019. Desde então, as relações com o governo interino têm-se mantido estáveis, com vista a concluir os procedimentos técnicos que permitam ao país recuperar o acesso aos instrumentos financeiros do FMI no futuro.

Esta situação compromete gravemente os planos de recuperação da administração norte-americana e o seu chamado "plano de três fases" — uma ambição que já estava em contradição com um setor que sofreu 30 anos de desinvestimento acumulado. Neste contexto, Carlos Malamud salienta que, embora houvesse expetativas de uma reabertura, o investimento estrangeiro no setor petrolífero é "bastante limitado" e o quadro jurídico continua a ser insuficiente para oferecer garantias. 

O docente da UAM acrescenta que, dado que a empresa estatal venezuelana de petróleo e gás (PDVSA) já se encontrava em "condições muito precárias", a capacidade real do país para extrair petróleo bruto e gerar os recursos necessários à reconstrução está gravemente comprometida, o que complica quaisquer projeções económicas a curto prazo.

O epicentro em Carabobo atingiu áreas vitais, tais como as refinarias nesse estado e em Falcón, bem como o porto de Puerto Cabello, paralisando um motor económico que o "plano de três fases" pretendia pôr em marcha. 

Esta situação compromete gravemente as projeções de investimento estrangeiro, que Malamud já tinha descrito como "limitadas" e comprometidas por um quadro jurídico inadequado que ainda não foi devidamente estabelecido.
O papel da ajuda humanitária
De acordo com relatórios das Nações Unidas, quase 8 milhões de pessoas já necessitavam de assistência antes de quarta-feira, e o risco de uma nova onda migratória é muito real. 

Países vizinhos, como a Colômbia e o Brasil, que já sofreram as consequências de ondas migratórias anteriores, enfrentam agora o dilema de como gerir a renovada pressão migratória num contexto regional em que a tolerância em relação aos movimentos populacionais diminuiu consideravelmente.

A ajuda internacional está a revelar-se um fator fundamental para evitar um colapso ainda maior, mas também uma fonte de atrito político. A ONU, através do seu responsável pela ajuda humanitária, Tom Fletcher, confirmou que está totalmente mobilizada e em contacto estreito com a equipa em Caracas liderada por Gianluca Rampolla, enquanto organizações como o Gabinete das Nações Unidas para os Serviços de Projectos (UNOPS) e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifestaram a sua disponibilidade para prestar assistência na sequência dos danos extensos causados a habitações e infraestruturas essenciais.

Malamud defende que a existência de uma espécie de protetorado de facto sob a influência dos EUA facilita uma ajuda mais rápida e substancial, ao mesmo tempo que molda a postura de outros governos da região. No entanto, esta perceção é objeto de debate; enquanto alguns a consideram um mecanismo essencial de estabilização, Gratius adverte que o interesse internacional, em particular o de Washington, poderia ser interpretado "como parte de uma lógica extrativista que visa dominar o setor energético em vez de dar prioridade à recuperação integral da população".

Entretanto, o tecido social e político continua sob pressão. Embora a líder da oposição, María Corina Machado, tenha apelado à calma, à força e à unidade entre todos os venezuelanos, os analistas continuam céticos quanto à possibilidade de haver alguma mudança na dinâmica de confronto que tem caracterizado o país nos últimos anos.

Malamud salienta que "são precisos dois para dançar o tango", manifestando dúvidas quanto à capacidade do governo e da oposição de pôr de lado as suas diferenças profundamente enraizadas para resolver a questão. 

A realidade imediata é que milhares de cidadãos passaram a noite ao relento, com serviços básicos como a eletricidade, o gás e a Internet cortados, e o Aeroporto Internacional de Maiquetía fora de serviço.

O terramoto não foi a causa da crise, mas funcionou como um espelho, refletindo a imagem de um Estado sobrecarregado, onde a reconstrução não será apenas uma questão de reparar edifícios, mas de tentar manter um contrato social que foi gravemente fragilizado pela inação, pela falta de transparência e por anos de governação que não conseguiram colocar a população no centro das suas prioridades.

Ebbaba Hameida / 26 junho 2026 06:17 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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Delcy Rodriguez esteve em La Guaira

A presidente interina da Venezuela visitou Macuto, em La Guaira, uma das localidades mais atingidas pelos dois sismos.

Delcy Rodriguez falou com as equipas de socorro e com familiares das vítimas e salientou a chegada da ajuda internacional no terreno, de modo a reforçar as operações de busca e salvamento. Em La Guairia há inúmeros edifícios colapsados.
As autoridades acreditam que muitas vítimas estão ainda nos escombros.

Perto de 50 mil pessoas continuam dadas como desaparecidas, de acordo com a plataforma criada pelo governo para localizar as vítimas deste duplo sismo.
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ONU promete ajuda urgente ao governo de Caracas

As Nações Unidas prometem enviar ajuda urgente ao governo de Caracas.
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Equipas médicas fundamentais nas "primeiras emergências"no resgate de vítimas

Apesar de as equipas de socorro e salvamento estarem preparadas e treinadas para atuar nestas situações, "são sempre cenários difíceis" e as "primeiras horas são decisivas". É por isso que, explicou Ana Correia à RTP, "a rapidez da resposta" faz "toda a diferença".

As equipas de busca e resgate são "sempre acompanhadas por equipas médicas", para garantir possíveis atendimentos às vítimas, se necessitarem.

"Temos noção que, neste tipo de catástrofe, os primeiros cuidados, as primeiras emergências são de traumas", disse a médica do INEM, enumerando "situações de quedas, de fraturas, que precisam de ser abordadas no imediato".

Além da saúde física, é fundamental ter um psicólogo nas equipas médicas.

"Existem equipas próprias (...) de apoio psicossocial, porque percebemos a necessidade que há".
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Subiu para nove o número de portugueses e lusodescendentes mortos

Nove portugueses e lusodescendentes morreram na sequência dos dois sismos registados quarta-feira na Venezuela e que causaram centenas de vítimas, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português que remete a atualização do número de desaparecidos para mais tarde.
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Mulher resgatada com vida dos escombros em La Guaira

As equipas de busca e salvamento resgataram uma mulher que estava presa nos escombros após a queda de um prédio em La Guaira.
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Objetivo da missão portuguesa na Venezuela é identificar sobreviventes

Joaquim Santos, segundo Comandante Sub-regional da Proteção Civil da Grande Lisboa, que integra a missão portuguesa que vai para a Venezuela, revelou que na fase inicial "será sempre de identificar e resgatar vítimas vivas".

"Ou seja, a prioridade é indiscutivelmente resgatar vítimas com vida. Se for identificada uma vítima mortal. A equipa faz a identificação do local e não retira o cadáver".

Joaquim Santos realça que esta é uma "missão complexa a nível psicológico" para as equipas locais.
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Operacionais da missão portuguesa convocados para as 15h em Figo Maduro

Deverá partir hoje a missão portuguesa para a Venezuela. Os quase 60 operacionais estão a ser convocados para estarem às 15h00 em Figo Maduro.

A RTP apurou que, depois de terem tratado da documentação e passaportes, neste momento estão a decorrer reuniões preparatórias e cumprem-se ainda requisitos como vacinação da equipa que inclui pelo menos 26 elementos da GNR, 15 do regimento sapadores bombeiros de Lisboa, do INEM deverão ser 7 e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil deverão ser 11.

É a proteção civil quem vai coordenar esta força operacional conjunta de cerca de 60 operacionais.


A missão portuguesa na Venezuela terá uma duração de até 10 dias e os operacionais levam equipamento para estarem autónomos quer a nível de logística quer de alimentação.
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Equipas de salvamento dos países mais próximos já estão na Venezuela

As equipas de buscas e salvamento de El Salvador, República Dominicana, México, Chile e Estados Unidos já estão na Venezuela, relevou Moisés Silva, da Associação Amigos da Diáspora e dos Emigrantes Madeirenses, à RTP Notícias.
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Sismos muito grandes podem ter mais que uma rutura

Miguel Miranda explicou na RTP Notícias que na região da Venezuela não é a primeira vez que aconteceu dois abalos seguidos e que "20% dos sismos muito grandes podem ter mais do que uma rutura".
O diretor executivo da AIR CENTRE salientou ainda que a estrutura de construção "não tem uma qualidade suficiente para resistir a um esforço sísmico desta magnitude".

Miguel Miranda frisou ainda que como "a destruição provocada dos dois sismos foi muito grande, há muitos escombros, há muitas estruturas que estão danificadas de forma definitiva e agora basta uma pequena energia, para caírem outra vez".
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Tripulações portuguesas da TAP e da Hi Fly estão de regresso a Portugal

Quarenta tripulantes ficaram retidos em Caracas quando ocorreu o sismo. Um dos aviões preparava-se para descolar quando ocorreu o tremor de terra.

Outros tripulantes estavam num hotel que sofreu estragos. E um deles sofreu ferimentos ligeiros.

Estão todos de regresso a Portugal.
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Rangel aponta como prioridade envio de ajuda humanitária e de emergência para a Venezuela

Aumentou para seis o número de mortos confirmados com ligações a Portugal na Venezuela, estando ainda desaparecidos 56 lusodescendentes.

O balanço é dramático e ainda provisório. Em declarações à RTP, o Ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que a prioridade absoluta é o envio de ajuda humanitária e de emergência.

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Chegou a Caracas um alto responsável militar americano

Um primeiro destacamento militar dos EUA, chefiado por um general da Marinha, chegou a Caracas esta sexta-feira para coordenar a ajuda americana às vítimas do duplo terramoto na Venezuela, anunciou o Exército norte-americano.

"O Major-General da Marinha Kevin J. Jarrard chegou hoje a Caracas, Venezuela, para supervisionar o apoio do Departamento de Guerra aos esforços de ajuda às vítimas do terramoto na Venezuela", anunciou o Comando Militar dos EUA para a América Latina e o Caribe (Southcom) em X.
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Primeira equipa de ajuda internacional já chegou à Venezuela

As operações de resgate seguem sem interrupções, com a primeira equipa internacional a chegar ao país. Foi a presidente interina Delcy Rodriguez quem deu a noticia nas redes sociais. Chegaram os primeiros 188 socorristas - vindos de El Salvador e trouxeram com eles ajuda humanitária - tendas de campanha, alimentos e medicamentos.
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Novo balanço aponta para 235 mortos, seis deles entre a comunidade portuguesa

Há também 4300 feridos e mais de 30 mil pessoas estão desaparecidas. 

O número de vítimas deverá aumentar. As próximas são decisivas para que possam ser encontradas mais vítimas nos escombros.
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Ajuda portuguesa deve partir nas próximas horas

Portugal vai enviar uma força operacional para a Venezuela, com 60 elementos, que deverá partir nas próximas horas.

A equipa é composta por especialistas em operações de resgate, profissionais do INEM e elementos da Unidade de Emergência e Socorro da GNR. 

Estas equipas já têm experiência em missões internacionais de resposta a catástrofes.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que Portugal também tem dinheiro disponível para ajudar a Venezuela. Paulo Rangel diz ainda que Portugal vai enviar para a Venezuela 23 toneladas de ajuda.
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