Número dois dos Khmer Vermelhos nega acusações de genocídio no Camboja

Banguecoque, Tailândia, 31 out (Lusa) -- O ideólogo e número dois dos Khmer Vermelhos Nuon Chea declarou-se hoje inocente de genocídio e de crimes contra a humanidade no final do julgamento contra o regime comunista que governou o Camboja entre 1975 e 1979.

Lusa /

"Durante este julgamento, ele mostrou claramente que eu não ordenei nenhum crime, contrariamente ao que dizem os procuradores. Sou inocente das acusações", declarou Nuon Chea, de 87 anos, no tribunal especial que julga os Khmer Vermelhos em Phnom Phen.

Na sua declaração, que durou cerca de hora e meia, o ideólogo dos Khmer Vermelhos pediu ao tribunal para o libertar e afirmou que não teve um "julgamento justo".

Nuon Chea, detido em 2007 acusado de crimes cometidos durante o regime comunista de Pol Pot, alegou que os seus advogados não conseguiram realizar uma investigação independente e que o tribunal recusou a comparência de testemunhas importantes para a sua defesa.

O mesmo insistiu que nunca teve poder para executar ordens e que as suas ações passaram por instruir oficiais do Partido Comunista e do Exército a "amarem, respeitarem e servirem" o povo.

Nuon Chea explicou que só ficou a saber dos abusos cometidos depois da queda do regime em 1979 e responsabilizou os oficiais da segunda linha de terem ocultado os atos de tortura.

"Sinceramente, peço perdão ao público, às vítimas. Sou moralmente responsável pela perda de controlo do Partido Comunista do Kampuchea", afirmou.

Calcula-se que cerca de dois milhões de cambojanos perderam a vida durante o regime dos Khmer Vermelhos, que queriam instaurar um regime socialista rural de orientação maoista.

O chefe dos Khmer, Pol Pot, morreu na selva cambojana em 1998, prisioneiro dos seus próprios correligionários.

Nuon Chea e o chefe de Estado do "Kampuchea democrático" Khieu Samphan, de 82 anos, são os únicos sobreviventes do regime e este último está também a ser julgado no tribunal de Phnom Penh patrocinado pela ONU.

Na semana passada, a acusação pediu prisão perpétua para ambos.

A sentença é esperada no primeiro semestre de 2014.

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