Número recorde de americanos está a deixar os Estados Unidos, Portugal é um dos destinos escolhidos

Número recorde de americanos está a deixar os Estados Unidos, Portugal é um dos destinos escolhidos

O novo sonho americano de alguns cidadãos dos Estados Unidos é deixar de viver no país, noticia o The Wall Street Journal (WSJ). Os americanos estão a deixar os Estados Unidos em número recorde para se instalarem com as famílias em países que consideram mais acessíveis e mais seguros, nomeadamente em Portugal.

Um Olhar Europeu com Ceska televize /
Patrícia de Melo Moreira / AFP



Mas não só. Na Chéquia, por exemplo, o número de americanos mais do que duplicou na última década.

No ano passado, pela primeira vez desde a Grande Depressão dos anos 30, houve mais pessoas a sair dos Estados Unidos do que a entrar, informa o jornal americano. De acordo com a Brookings Institution, um grupo de reflexão sobre políticas públicas, estima-se que no ano passado tenham saído 150.000 pessoas dos EUA e é provável que os números continuem a subir este ano.

Desde a administração de Dwight D. Eisenhower, Washington pode não ter estatísticas completas sobre o número de imigrantes, mas os dados sobre autorizações de residência, compra de casa, matrículas em universidades e outros dados de mais de 50 países em todo o mundo mostram que os americanos estão a "votar com os pés" a um nível sem precedentes.

Alguns comentadores referem-se a esta vaga como o "Donald Dash" (dash = fuga), uma vez que o número de emigrantes americanos disparou durante o segundo mandato do Presidente Donald Trump. 

Mas, de acordo com o WSJ, o fenómeno tem vindo a crescer há anos - alimentado pelo aumento do teletrabalho, pelo aumento do custo de vida e pelo desejo de um estilo de vida no estrangeiro, que é especialmente possível na Europa.
Mais americanos no México e na União Europeia 

Estima-se que entre quatro a nove milhões de americanos vivam fora dos EUA, mas não existe um conjunto de dados que os registe com exatidão, refere o WSJ.

No entanto, o jornal cita várias fontes que indicam que mais de um milhão e meio de americanos viviam no México em 2022. Já o quarto de milhão de americanos que vivem no Canadá não inclui as pessoas com dupla nacionalidade ou que atravessam a fronteira. 

Por sua vez, mais de um milhão e meio de americanos vivem na Europa, dos quais mais de 325 mil no Reino Unido. Em quase todos os 27 Estados-membros da UE, o número de americanos que vieram para viver e trabalhar, está a aumentar.

O número total de cidadãos americanos a viver em Portugal aumentou mais de cinco vezes desde a pandemia de covid-19. Em Espanha e nos Países Baixos, o número de americanos instalados quase duplicou na última década e na República Checa mais do que duplicou.

No ano passado, houve mais americanos a mudarem-se para a Alemanha do que alemães a mudarem-se para a América. O mesmo aconteceu com a Irlanda, que acolheu duas vezes mais novos residentes dos EUA no ano passado do que em 2024.Americanos atraídos por melhor qualidade de vida e proteção social
As autoridades norte-americanas estão a acumular pedidos de renúncia à cidadania, refere o WSJ. Em 2024, o número aumentou quase metade em relação ao ano anterior e, no ano passado, também deverá ser ultrapassado.

Em contrapartida, o interesse dos americanos pela nacionalidade britânica é o mais elevado desde 2004, e o número de pedidos de nacionalidade irlandesa também atingiu um nível recorde.

As pessoas citam razões económicas, a preferência por um estilo de vida diferente ou a desilusão com o rumo do país como motivações para deixar os EUA, apontando os crimes violentos, o custo de vida e a turbulência política 

Para muitos, a reeleição de Trump foi um fator, enquanto outros expatriados votaram no atual presidente.

Mas, de acordo com o WSJ, há uma mudança estrutural e social mais profunda. Enquanto um em cada dez americanos queria deixar os EUA durante a recessão de 2008, um em cada cinco fê-lo no ano passado

No ano passado, uma sondagem do Instituto Gallup revelou que 40% das mulheres americanas entre os 15 e os 44 anos gostariam de viver no estrangeiro de forma permanente.

Especificamente na Europa, os americanos são também atraídos pelo sistema social e pela qualidade dos cuidados de saúde e da educação. "Os salários são mais elevados nos Estados Unidos, mas há mais qualidade de vida na Europa", resume Chris Ford, de quarenta e um anos, que se mudou para Berlim com a família.Na Europa, residentes queixam-se da gentrificação
Por outro lado, para a população local dos países para onde os americanos se dirigem em grande número, a sua chegada pode ter um impacto negativo.

Em Bali, na Colômbia e na Tailândia, a chegada de americanos em regime de teletrabalho exerceu uma pressão tão grande sobre a habitação que deu origem a protestos locais contra a gentrificação. Também em Portugal e em Espanha se discute a forma de garantir que os habitantes locais não sejam prejudicados pela nova vaga de colonos vindos do estrangeiro.

Cerca de 58% dos compradores estrangeiros de imóveis em Portugal vêm dos EUA e os preços das casas duplicaram em alguns bairros históricos de Lisboa em cinco anos

Em Barcelona, um graffiti apareceu numa parede dizendo: "Nómadas digitais, vão para casa!".

Petra Hosenseidlová / 27 fevereiro 2026 09:52 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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