Mundo
O fim da rotina de Jon Stewart
Jon Stewart vira esta quinta-feira uma das páginas mais importantes da sátira política norte-americana. O apresentador despede-se hoje do Daily Show, ao fim de 16 anos. Olhamos para os alvos e os principais temas de um programa que veio enfatizar o papel da comédia na atualidade política e mediática.
O último episódio de Daily Show apresentado por Jon Stewart vai para o ar no mesmo dia em que a Fox News transmite um mega-debate entre dez candidatos a candidatos republicanos, na corrida às presidenciais de 2016.
Quem acompanhou o late-night talk show do comediante e a sua crescente politização percebe rapidamente a conexão entre os dois momentos televisivos: é este seria o cenário ideal para as críticas e apontamentos virulentos do apresentador que esta quinta-feira se despede do programa.
Quatro vezes por semana, durante 16 anos e ao fim de 2676 episódios, Jon Stewart chegou à casa dos norte-americanos e de gente por todo o mundo para lhes transmitir notícias e acontecimentos que de outra forma não teriam interesse em consumir.
Um estudo de 2010 do Pew Research Center indicava que as camadas mais jovens da população, ou "millennials", privilegiavam o consumo de notícias pelos fake news show.
O fenómeno Jon Stewart cresceu num contexto jornalístico específico, durante as experiências embrionárias na Web, impulsionadas pelo "11 de setembro" e tudo o que se lhe seguiu.
No ano passado, um estudo publicado pela Brookings Institution chegava à conclusão de que os jovens norte-americanos confiavam no "Daily Show" mais do que no canal noticioso MSNBC.
“Bastião da sanidade”
Brian Moylan, crítico para o jornal britânico The Guardian, descreve Stewart como um “visionário” que soube ver o caminho que os media começavam a seguir, na viragem do milénio, um “bastião da sanidade” durante a presidência de George W. Bush.
Aos 52 anos, Jon Stewart, nascido Jonathan Stuart Leibowitz, em Nova Iorque, retira-se de um programa que já estava no ar desde 1996, mas que apenas ganhou um lugar no panorama televisivo à boleia do seu protagonismo. Com ele conquistou 18 Emmys e dois prémios Peabody, uma das distinções mais importantes para o jornalismo norte-americano.
“Ver o Daily Show era uma introdução às notícias, uma análise das notícias e ainda uma interpretação emocional das notícias”, reforça Matthew Love, redator na Rolling Stone.
Julgado pela parcialidade a favor dos democratas e da campanha de Barack Obama em 2008, Stewart foi um crítico acérrimo de nomes como Dick Cheney, Ronald Rumsfeld, Sarah Palin ou a estação televisiva Fox News, conotada com o Partido Republicano. Não deixou, ainda assim, de apontar o dedo a outras estações como a CNN ou mesmo ao Obamacare.
Obama, o presidente norte-americano, foi por quatro vezes ao programa de Jon Stewart, três delas antes da eleição de 2008. Em julho pediu-lhe que ficasse: “Não acredito que se vai embora antes de mim”.
Mas, tal como anunciou em fevereiro, o comediante está cansado e já não sente a motivação de outros tempos. No futuro próximo estarão certamente os espetáculos de stand-up que fazia antes de entrar na aventura do Daily Show, ou a realização de filmes, como a experiencia bem conseguida em Rosewater (2014).
Quanto ao programa na Comedy Central, Trevor Noah, de 31 anos, vai ser a nova face do Daily Show a partir de 28 de setembro.
Quem acompanhou o late-night talk show do comediante e a sua crescente politização percebe rapidamente a conexão entre os dois momentos televisivos: é este seria o cenário ideal para as críticas e apontamentos virulentos do apresentador que esta quinta-feira se despede do programa.
Quatro vezes por semana, durante 16 anos e ao fim de 2676 episódios, Jon Stewart chegou à casa dos norte-americanos e de gente por todo o mundo para lhes transmitir notícias e acontecimentos que de outra forma não teriam interesse em consumir.
Um estudo de 2010 do Pew Research Center indicava que as camadas mais jovens da população, ou "millennials", privilegiavam o consumo de notícias pelos fake news show.
O fenómeno Jon Stewart cresceu num contexto jornalístico específico, durante as experiências embrionárias na Web, impulsionadas pelo "11 de setembro" e tudo o que se lhe seguiu.
No ano passado, um estudo publicado pela Brookings Institution chegava à conclusão de que os jovens norte-americanos confiavam no "Daily Show" mais do que no canal noticioso MSNBC.
“Bastião da sanidade”
Brian Moylan, crítico para o jornal britânico The Guardian, descreve Stewart como um “visionário” que soube ver o caminho que os media começavam a seguir, na viragem do milénio, um “bastião da sanidade” durante a presidência de George W. Bush.
Aos 52 anos, Jon Stewart, nascido Jonathan Stuart Leibowitz, em Nova Iorque, retira-se de um programa que já estava no ar desde 1996, mas que apenas ganhou um lugar no panorama televisivo à boleia do seu protagonismo. Com ele conquistou 18 Emmys e dois prémios Peabody, uma das distinções mais importantes para o jornalismo norte-americano.
“Ver o Daily Show era uma introdução às notícias, uma análise das notícias e ainda uma interpretação emocional das notícias”, reforça Matthew Love, redator na Rolling Stone.
Julgado pela parcialidade a favor dos democratas e da campanha de Barack Obama em 2008, Stewart foi um crítico acérrimo de nomes como Dick Cheney, Ronald Rumsfeld, Sarah Palin ou a estação televisiva Fox News, conotada com o Partido Republicano. Não deixou, ainda assim, de apontar o dedo a outras estações como a CNN ou mesmo ao Obamacare.
Obama, o presidente norte-americano, foi por quatro vezes ao programa de Jon Stewart, três delas antes da eleição de 2008. Em julho pediu-lhe que ficasse: “Não acredito que se vai embora antes de mim”.
Mas, tal como anunciou em fevereiro, o comediante está cansado e já não sente a motivação de outros tempos. No futuro próximo estarão certamente os espetáculos de stand-up que fazia antes de entrar na aventura do Daily Show, ou a realização de filmes, como a experiencia bem conseguida em Rosewater (2014).
Quanto ao programa na Comedy Central, Trevor Noah, de 31 anos, vai ser a nova face do Daily Show a partir de 28 de setembro.