O gigante chinês está a encolher a olhos vistos

A pirâmide etária na China mostra uma base cada vez mais reduzida. Apesar dos esforços redobrados do governo para inverter a crescente desproporção entre o número de nascimentos e o de óbitos, a taxa de natalidade em 2025 atingiu o valor mais baixo desde que o Partido Comunista Chinês subiu ao poder, em 1949. Esta estatística, combinada com uma subida da taxa de mortalidade de proporções só comparáveis a 1968, resulta no emagrecimento da população do gigante asiático, tendência que se mantém há quatro anos consecutivos.

Sérgio Alexandre - RTP /
A vitalidade da Economia chinesa está seriamente ameaçada pela queda vertiginosa da taxa de natalidade Foto: Sheldon Cooper / SOPA Images via Reuters Connect

Dados oficiais hoje divulgados revelam que a taxa de natalidade em 2025 caiu para 5,63 por 1000 habitantes - um recorde negativo na China comunista - ao mesmo tempo que a taxa de mortalidade se fixou nos 8,04 por 1000 - a maior em quase seis décadas.

No fim do ano passado, a população chinesa perdeu 3,4 milhões de habitantes relativamente a 2024 cifrando-se em torno dos 1400 milhões e acentuando o ritmo de queda verificado em anos anteriores.

Perante uma população cada vez mais envelhecida e um crescimento económico lento, o governo chinês tem desenvolvido políticas para tentar aumentar o número de nascimentos que, no entanto, não se têm revelado eficazes, mesmo depois de abolida, há cerca de uma década, a emblemática medida que autorizava apenas um filho por casal, limite que foi paulatinamente elevado para os atuais três.

Por outro lado, foram aumentados os prazos das licenças parentais e, no ano passado, passaram a ser atribuídos subsídios monetários substanciais para cada criança abaixo dos três anos. A par destas medidas, foram criadas potentes barreiras fiscais à utilização de métodos contracetivos.
 
Nem assim os propósitos do governo para encorajar os mais jovens a casarem-se e a ter filhos estão a conseguir ter eco junto do público-alvo e, assim, a China enfrenta uma crise demográfica crescente, espelhada numa das mais baixas taxas de fertilidade do Mundo. Atualmente, em média, uma chinesa dá à luz apenas uma vez, muito abaixo do limiar de substituição das populações, que é de 2,1 filhos por mulher.

O facto de a China ser um dos países onde é mais caro criar uma criança até à maioridade é só um entre os vários fatores que contribuem para uma conjuntura comum à generalidade dos países que vão atingindo níveis de desenvolvimento económico mais elevados.

Um censo efetuado no país em 2021, hoje citado pela BBC, refere que a pressão do desempenho profissional e a rejeição do casamento em prol da liberdade individual são fortes motivos para que os jovens chineses se desinteressem por constituir família, mesmo quando o governo lhes oferece condições que os progenitores nunca tiveram.

Tocam os alarmes perante a perspetiva de inexorável e acentuada queda da força de trabalho, o descalabro do sistema de pensões, para o qual há cada vez menos contribuintes, e o disparo das despesas públicas relacionadas com o envelhecimento da população. Uma autêntica bomba-relógio que ameaça seriamente aquela que é, hoje em dia, a segunda maior Economia do Mundo.
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