O meu filho morreu de SIDA - Nelson Mandela
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela anunciou que o seu filho mais velho, Makgatho, internado há um mês num hospital de Joanesburgo, morreu hoje de SIDA.
Makgatho Mandela morreu na Clínica Linksfield Park, onde tinha sido internado há mais de um mês devido a doença não especificada pela família.
Em conferência de imprensa realizada hoje na sua residência de Joanesburgo, o Prémio Nobel da Paz (1993) disse que a SIDA foi a causa da morte do filho, salientando que a única maneira de combater o estigma do HIV é falar sobre ele.
"Deixem-nos dar publicidade ao HIV/SIDA e não escondê-lo, porque a única maneira de começar a parecer uma doença normal, como o cancro, é anunciar que alguém morreu de SIDA", afirmou Nelson Mandela, acrescentando que ninguém "vai para o inferno" por causa de sofrer da doença.
A África do Sul tem o maior número de pessoas infectadas com o vírus da SIDA em todo o mundo.
Segundo dados divulgados pela ONU, em finais de 2003 existiam no país 5,3 milhões de pessoas infectadas.
A posição de Nelson Mandela contrasta com a do actual presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que negou conhecer alguém que tivesse morrido de SIDA.
"Espero que à medida que o tempo passe, percebamos que é importante falar abertamente sobre pessoas que morreram com SIDA", afirmou Nelson Mandela, recusando-se a comentar a posição de Thabo Mbeki.
No ano passado, um outro político sul-africano, o líder do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, afirmou publicamente que um filho e uma filha tinham morrido de SIDA, no intuito de combater a discriminação que rodeia esta doença e torna mais difícil a luta contra a pandemia.