O partido do centro, PMDB, deverá ser o grande vencedor das eleições brasileiras
O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro), o maior partido político do Brasil, deverá ser o grande vencedor das eleições de domingo, podendo obter a bancada mais forte no novo Parlamento e eleger 11 dos 27 governadores.
As previsões dos analistas de que o PMDB poderá ampliar a sua liderança são bastante favoráveis para um partido que será o grande parceiro do Presidente Lula da Silva num eventual segundo mandato e um dos maiores responsáveis por assegurar a governação, ameaçada por escândalos e crises políticas.
Na Câmara dos Deputados, as estimativas são de que o PMDB eleja cerca de 100 deputados, e no Senado continue a ocupar um quarto dos 81 assentos.
Actualmente, o PMDB tem 21 senadores (25,92 por cento no Senado), 83 deputados federais (16,18 por cento da Câmara) e sete governadores.
O partido, que este ano completou 40 anos, tem mais de dois milhões de filiados e 15 milhões de simpatizantes em todo o Brasil, o que lhe garantiu estar hoje à frente do executivo de 1.057 municípios, que contam ainda com 8.315 vereadores "peemedebistas".
De acordo com os analistas políticos, o PMDB deverá crescer ainda mais nas eleições do próximo domingo, porque muitos eleitores não têm saudades do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e também não querem votar no Partido dos Trabalhadores, o PT de Lula da Silva, devido aos escândalos que têm atingido duramente esta força partidária.
Entre os escândalos em que o PT esteve envolvido estão o "mensalão", esquema de compra de votos no Congresso através do "saco azul" do partido, que gerou uma das maiores crises políticas brasileiras no ano passado.
O PT está igualmente envolvido na "máfia dos vampiros", escândalo sobre fraudes em compras de produtos derivados do sangue que estourou em 2004 e culminou com a denúncia pelo Ministério Público, esta semana, do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, do PT, e do ex- tesoureiro do partido, Delúbio Soares, acusados de corrupção e formação de quadrilha.
Houve ainda deputados do PT que participaram na "máfia dos sanguessugas", o maior esquema de corrupção já descoberto no Congresso, que consistia em fraudes na compra de ambulâncias para o interior do Brasil com a ajuda de quase uma centena de parlamentares de vários partidos.
Mais recentemente, o partido do actual Presidente viu-se no centro do "escândalo do dossier", em que pessoas ligadas ao PT tentaram comprar documentos para prejudicar candidatos da oposição.
Embora as repercussões desses escândalos não tenham atingido a candidatura à reeleição do Presidente Lula da Silva que, segundo todas as sondagens, deverá ganhar as eleições na primeira volta, o PT poderá sair penalizado das urnas.
O PMDB que, ao contrário, deverá sair ainda mais fortalecido, deverá cobrar caro o apoio ao PT e ocupar muitos cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões num provável segundo mandato de Lula da Silva.
A maioria do PMDB, um partido cheio de facções, apoia o actual governo bem como a candidatura do Presidente Lula à reeleição, embora esta força partidária não se tenha coligado formalmente com o PT.
É curioso observar que o PMDB fez parte também da coligação de apoio do governo anterior de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.
Segundo analistas brasileiros, o PMDB "sabe dançar bem a música que está a tocar".
Se as projecções sobre o fortalecimento do PMDB nas eleições de Outubro se confirmarem, o partido poderá ter também o comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, já que existe uma tradição de a força partidária com maior número de parlamentares eleitos indicar os presidentes das duas instituições legislativas.
Em contraste com o cenário favorável do PMDB, alguns líderes tradicionais do partido, como o ex-presidente José Sarney, candidato à reeleição ao Senado pelo Estado do Amapá, região Norte do Brasil, não estão em situação muito tranquila.
Nesta reta final da campanha, o senador, um dos principais defensores dentro do PMDB de uma aliança com Lula da Silva, viu diminuir a sua vantagem sobre a adversária Cristina Almeida, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Negra, de origem pobre, Cristina Almeida está a subir nas pesquisas com um discurso de que Sarney é "forasteiro", numa alusão ao facto de Sarney ter nascido no Maranhão, Estado que governou (1966- 1970) e que mais tarde foi governado pela sua filha, Roseana Sarney, eleita em 1994 e reeleita em 1999.
Outro líder do PMDB em situação ainda mais complicada é o senador Ney Suassuna, que poderá não ser reeleito no Estado de Paraíba, após ter sido acusado de participação na "máfia do sanguessugas".
Mesmo se vencer as eleições, Suassuna poderá perder o mandato no âmbito das investigações no Congresso Nacional sobre o escândalo das fraudes em compras de ambulâncias.
O terceiro "peemedebista" que pode sair prejudicado nestas eleições é o actual presidente do Senado, Renan Calheiros, por uma eventual derrota do candidato que apoia para o governo de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, do PSDB.
Uma possível vitória dos adversários no seu Estado enfraquecerá politicamente Calheiros, que também poderá não contar com o apoio dos aliados Sarney e Suassuna para concorrer à Presidência do Senado por mais dois anos.