O polícia do Huambo que zelou pela segurança de Diana vai também proteger Harry
Pela segunda vez, uma rua do Huambo vai ser percorrida por um membro da família real britânica. E, novamente, é José Fernando Mação, 2.º comandante provincial da Polícia Nacional, que vai lá estar para garantir a segurança.
A estrada que foi percorrida em janeiro de 1997, pela princesa Diana de Gales, numa Angola devastada por anos de um conflito sangrento, volta a receber esta sexta-feira o seu filho Harry, duque de Sussex, agora em tempos de paz.
A visita do príncipe serve para voltar a chamar a atenção da comunidade internacional para a ameaça das minas antipessoais, causadoras de milhares de vítimas civis em Angola, numa altura em que o financiamento à causa defendida pela princesa Diana tem vindo a declinar.
A emblemática rua 28 de maio, com muros pintados de fresco, estava hoje a ser varrida para receber condignamente o príncipe, e já está fechada ao trânsito.
"É muito gratificante para mim e para o povo angolano, em geral, e para o Huambo em particular, termos recebido a mãe e recebermos o filho. Era uma condição de guerra e agora é uma condição de paz. Com a presença do príncipe, acreditamos que as coisas tendem a evoluir", dando um novo impulso à luta contra as minas, acredita José Fernando Mação.
Junto à árvore onde Diana descansou, por alguns momentos, durante o trajeto que fez pelo que era, na altura, um campo minado, relembra o dia em que a princesa chegou: "No princípio, não tínhamos noção do que significava a visita da princesa Diana, tendo em conta que era um período de guerra", diz o responsável da polícia, elogiando "a família real da Inglaterra" que "chegou ao Huambo por uma causa justa".
Em plena guerra civil, o Huambo era uma das províncias com mais campos minados - alguns já a ser descontaminados pela ONG britânica Halo Trust - e "a princesa incentivou sobremaneira as ONG [organizações não-governamentais] e o Governo para se empenharem cada vez mais nas campanhas de desminagem", reforça o comandante.
Na altura, José Fernando Mação era o diretor provincial da ordem pública e encarregou-se precisamente de assegurar que esta era cumprida durante a visita da princesa, numa época bem mais perigosa do que a atual.
"Não tem comparação nenhuma. Na altura era um período de guerra e o sistema de segurança teve de ser mais elevado relativamente ao que é agora. Nós não sabíamos quem era quem", conta.
A presença de um membro da monarquia britânica numa província em guerra obrigou, por isso, a redobrar o sistema de segurança, para que a princesa "estivesse calma e pudesse realizar o seu trabalho".
Para José Fernando Mação, o contributo de Diana para o desenvolvimento do Huambo está à vista.
"Depois de desativadas as minas nos campos, é o desenvolvimento que se vê hoje: a cidade cresceu sobremaneira, com novos bairros, saneamento básico e o melhoramento das condições sociais da população", descreve.
A rua 28 de maio, que anteriormente não passava de uma estrada minada de terra batida envolvida por "um capinzal muito grande", está hoje ladeada de edifícios.
O responsável da polícia espera agora que a visita do príncipe Harry traga novos benefícios, dando um novo impulso à desminagem em Angola, permitindo reforçar o apoio financeiro ao país e aos seus parceiros.
Segundo os dados mais recentes da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) CNIDAH, datados de julho de 2019, subsiste no Huambo apenas um possível campo minado com cerca de 13 mil metros quadrados.
No total, as 18 províncias de Angola possuem ainda 1.220 campos minados, ocupando uma área total de 105 quilómetros quadrados
Bié, Cuando Cubango, Cuanza Sul e Moxico são as províncias mais afetadas.