O processo de contagem que dura vários dias
O ritual da contagem e certificação de votos em Timor-Leste começa com o fecho das urnas, no sábado, e termina vários dias depois, quando os resultados finais forem confirmados pelo Tribunal de Recurso.
Em cada momento, fiscais partidários, observadores e funcionários eleitorais do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE) verificam tudo, certificando um processo que, nos últimos anos, tem sido aplaudido como credível, transparente e justo.
Dificuldades tecnológicas, acessos complicados em algumas zonas do país e o próprio sistema, que obriga a vários níveis de verificação de votos antes da certificação nacional e, finalmente, pelo Tribunal de Recurso, implicam que saber a composição do próximo Parlamento demore sempre algum tempo.
Ainda assim, as principais forças políticas sabem muito mais cedo do que os dados oficiais como decorreu a votação. Os próprios fiscais informam as sedes da contagem em cada estação de voto, valor que é tabulado pelos partidos antes de ser comprovado, algum tempo depois, e divulgado pelo STAE.
O processo em si, normalmente, começa com uma `redecoração` da sala onde se votou, que é preparada com nova disposição das mesas e a colocação de um quadro ou folhas brancas com espaço para as oito forças políticas, onde cada voto será representado com um risco.
Espaços para os votos nulos, em branco, inválidos ou `reclamados` são também reservados.
O número de série do selo plástico das urnas é verificado, são comprovados os números das urnas e depois confirma-se que fiscais de que partidos estão presentes.
Enquanto isso, outros responsáveis inutilizam com um carimbo onde se lê "La Uza" (`não usado` em tétum) cada um dos boletins que não foram necessários. Foram impressos mais 10% do que os eleitores recenseados o que, tendo em conta a abstenção, implica necessariamente muitas `carimbadelas`.
Em cada secção de voto, a responsável eleitoral abre depois as urnas, à vista de todos, despeja os boletins para cima da mesa e depois, as folhas de formato A3 são abertas, uma por uma, e amontoadas, face para baixo, numa das meses.
Depois de terminada a contagem em cada assembleia de voto, as urnas seguem para a sede municipal onde as atas são reverificadas, para comprovar que os registos manuais concordam com o registo eletrónico.
Os resultados municipais começam a ser tabulados depois de se receberem cinco atas, correspondentes a esse número de centros de votação.
A partir daqui, os dados começam a ser divulgados pelo Secretariado Técnico de Assistência Eleitoral (STAE). Só quando esta fase estiver concluída é que a contagem passa a ser da responsabilidade da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
É já na CNE que se analisam os votos reclamados, com fiscais partidários e os comissários eleitorais a analisar cada um dos boletins antes de, eventualmente, serem `dados` a um dos oito partidos e coligaçõs.
A certificação final caberá ao Tribunal de Recurso que determinará quem serão os 65 deputados do próximo Parlamento Nacional timorense.