Obama “emagrece” militares mas garante supremacia dos EUA

O Presidente norte-americano anunciou esta tarde no Pentágono a nova estratégia militar dos Estados Unidos, que vão mudar o foco para a China e a região da Ásia-Pacífico. Obama anunciou reduções orçamentais de quase 490 mil milhões de dólares ao longo da próxima década. O número de soldados deverá ser substancialmente reduzido mas o investimento em capacidades cibernéticas será aumentado e o Presidente garante que a superioridade militar americana será mantida.

Graça Andrade Ramos /
Barack Obama anunciou cortes de quase 490 mil milhões de dólares ao orçamento de defesa dos EUA Shawn Thew, EPA

“Os nossos militares irão “emagrecer” mas o mundo deve saber: os Estados Unidos vão manter a superioridade militar com forças armadas mais ágeis, flexíveis e prontas para uma gama completa de contingências e ameaças”, afirmou Obama, durante uma rara aparição no Pentágono.

Os Estados Unidos completaram o mês passado a retirada das suas tropas do Iraque e estão a retirar-se igualmente do Afeganistão, uma operação que poderá revelar-se um verdadeiro pesadelo logístico.

“À medida que olhamos além das guerras do Iraque e do Afeganistão (…) seremos capazes de garantir a nossa segurança com menos forças terrestres convencionais” afirmou Obama.

Mas avisou que os militares americanos continuarão “vigilantes” no Médio Oriente.

“Enquanto os militares norte-americanos vão continuar a contribuir para a segurança global, teremos necessariamente de nos voltar para a região da Ásia-Pacífico”, refere o documento sobre a nova estratégia americana.

Ameaça chinesa e investimentos cibernautas

Além dos cortes anunciados de 489 mil milhões de dólares nos próximos 10 anos, o orçamento militar enfrenta o corte de 600 mil milhões de dólares, devido a falta de acordo no Congresso sobre a definição de novos tetos para a dívida norte-americana.

Alguns analistas dizem que, com estes cortes, será impossível aos Estados Unidos manterem ativas duas frentes de guerra. Mas a prioridade do Pentágono é agora diferente, apesar das garantias de que se manterá atento ao Médio Oriente.

Washington está preocupada com a crescente influência e agressividade da China na região. “Vamos reforçar a nossa presença na Ásia-Pacífico e os cortes orçamentais não serão feitos à custa desta região crítica”, afirmou Obama.

O novo plano orçamental não refere número de homens e armamento a reduzir. Mas algumas fontes da Administração de Obama revelaram à imprensa norte-americana que a redução deverá oscilar entre os 10-15% no exército e no corpo de Marines, ao longo da próxima década, o que equivale a dezenas de milhares de tropas terrestres convencionais.

Para contrabalançar esta perda, o Pentágono promete um acréscimo nos investimentos nas capacidades cibernéticas. E sugere que uma redução do arsenal nuclear americano, não deverá comprometer a segurança do país.

Momento de transição

Os cortes orçamentais e a nova estratégia surgem num cenário de crise. Obama reconheceu-o quando afirmou que a “maré da guerra” virou e os EUA necessitam renovar a sua força económica.

“Acredito firmemente e penso que o povo americano irá compreender, que podemos manter a força dos nossos militares e a segurança da nossa nação com um orçamento que continua a ser maior do que os dos 10 países seguintes, todos juntos”, disse o Presidente americano.

A administração de Obama concentra-se em fazer crescer a economia e fazer diminuir o desemprego num ano de eleições cruciais para Obama. “A nossa nação está num momento de transição”, explicou logo no início da sua intervenção.

Mas Obama afirmou que o fim dos dois teatros operacionais do Iraque e do Afeganistão é uma oportunidade para reequilibrar as prioridades orçamentais após uma década de conflito. E lembrou que após os ataques de 11 de setembro de 2001, o orçamento de defesa registou um aumento “extraordinário”.

Agora, o ritmo da despesa irá abrandar mas continuará a crescer, acrescentou Obama. A proposta orçamental do Presidente irá ser apresenta dia 13 de fevereiro.

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