Obama pede persistência na luta contra o racismo

Washington, 09 dez (Lusa) - O Presidente norte-americano, Barack Obama, defendeu que a erradicação do racismo nos Estados Unidos só poderá acontecer progressivamente e pediu aos jovens que "sejam persistentes" na luta contra o preconceito.

Lusa /

"Isto não se vai resolver do dia para a noite, é algo que está profundamente enraizado na nossa sociedade e na nossa história", disse Obama, numa entrevista ao canal Black Entertainment Television, emitida na segunda-feira.

Numa altura em que se multiplicam por todo o país os protestos contra a morte de vários negros por polícias brancos, Obama pediu aos jovens que continuem a lutar contra o racismo, sublinhado que ter paciência é crucial.

"Temos de ser persistentes, porque habitualmente o progresso faz-se em etapas, em incrementos", disse.

"Quando lidamos com algo tão profundamente enraizado como o racismo, ou o preconceito, em qualquer sociedade, temos de ser vigilantes mas reconhecer que é algo que vai levar algum tempo. Mas não podemos simplesmente esperar que o processo aconteça sozinho", declarou.

Segundo o Presidente, este processo "implica mudanças nas políticas", "formação" e "medidas concretas nos departamentos da polícia, a partir do topo, para mudar as mentalidades".

Ainda assim, Obama defende que as relações raciais melhoraram nos últimos 50 anos.

"Quero que os meus netos sejam tratados como os netos de qualquer pessoa", comentou.

A morte de uma série de jovens negros por polícias brancos gerou uma onda de indignação e motivou um debate público sobre a atuação das autoridades.

"Julgo que o que é tão doloroso e frustrante para muitas pessoas é o reconhecimento de que, simplesmente devido à cor da pele, há menos margem de erro. E isso é particularmente verdade para os jovens negros", afirmou.

Em Ferguson, Missouri e Nova Iorque, dois grandes júris em separado decidiram não indiciar polícias brancos envolvidos na morte de suspeitos negros, gerando manifestações por todo o país.

"A consciência de um país tem por vezes de ser acordada por inconvenientes", disse Obama, apelidando os protestos de "necessários".

"Quando se tornarem violentos, então serão contraprodutivos", rematou.

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